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Após a denúncia apresentada por Sâmia Bomfim, o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu investigação para apurar possível prática de assédio eleitoral por parte de Luciano Hang, dono da Havan, contra trabalhadores da empresa. O procedimento foi instaurado depois que o empresário reuniu funcionários durante a inauguração de uma loja em Caldas Novas (GO) e fez um discurso contra o fim da escala 6×1, que está em discussão no Congresso Nacional.

A denúncia de Sâmia foi apresentada na segunda (31), após a divulgação das imagens da fala de Hang. No vídeo, o empresário afirma que o fim da escala 6×1 elevaria em cerca de 15% os custos da Havan com mão de obra e sustenta que parte dos trabalhadores poderia perder poder de compra. Em outro momento, chega a dizer que, diante de uma eventual mudança na jornada, alguns funcionários teriam de procurar outro emprego.

Ao criticar a proposta, Hang também classificou o fim da escala 6×1 como um “estelionato eleitoral” e associou a medida à disputa pelos votos dos trabalhadores nas eleições de outubro. Para Sâmia, o discurso ultrapassa o direito de opinião por ter sido feito diante de trabalhadores da própria empresa e por recorrer ao medo e à desinformação para atacar uma conquista trabalhista em discussão no Congresso.

Agora, o MPT vai apurar os fatos. O órgão informou que tomou conhecimento da gravação e determinou a instauração de uma Notícia de Fato para investigar a possível ocorrência de assédio eleitoral. O procedimento está em fase inicial de apuração.

“Após a denúncia que fiz contra Luciano Hang, o Véio da Havan, o Ministério Público do Trabalho abriu investigação para apurar suspeita de assédio eleitoral contra trabalhadores da empresa por conta das mentiras e ameaças relacionadas ao fim da escala 6×1”, contou Sâmia nas redes sociais. Para a candidata à reeleição, a ofensiva de empresários e setores bolsonaristas contra a redução da jornada revela o conflito em torno de uma mudança que pode garantir mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida para milhões de trabalhadores.

A discussão ocorre às vésperas da votação da PEC 221/2019 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A proposta é o primeiro item da pauta desta quarta-feira (2) e prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado e sem redução salarial. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), mantém o texto aprovado pela Câmara e afirmou esperar sua aprovação na comissão, com a possibilidade de votação no plenário ainda durante o esforço concentrado.

A candidata também vem defendendo a mobilização popular para garantir a aprovação da proposta. No 1º de Maio, em ato em São Paulo, afirmou: “É na rua que nós vamos arrancar nossas conquistas”. No último domingo (30), durante a mobilização pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista, reforçou que a pressão seguiria nesta semana e avisou que a luta chegaria ao Senado.

“Chegou a hora de transformar a pressão das ruas em vitória no Congresso. O fim da escala 6×1 significa mais tempo para viver, descansar e estar com a família. E o desespero de empresários e bolsonaristas só mostra que estamos começando a desmontar a superexploração a que os trabalhadores brasileiros estão submetidos”, afirmou Sâmia.

Foto: Reprodução