Pular para o conteúdo

O debate entre Sâmia Bomfim (PSOL) e Lucas Pavanato (PL), marcado para a manhã desta terça-feira (29), na ESPM, em São Paulo, terminou sem a presença do candidato do PL. Pavanato havia confirmado participação no encontro promovido pelo Centro Acadêmico 4 de Dezembro, mas cancelou antes da atividade. Segundo o CA, sua equipe alegou “questões pessoais e de agenda”.

Sâmia compareceu ao local e participou da atividade diante dos estudantes. Com a desistência de Pavanato, o encontro foi transformado em uma sabatina, com perguntas sobre as propostas e a atuação da candidata em temas como direitos LGBTQIA+, combate ao racismo, trabalho, crise climática, reforma urbana, reforma agrária e políticas para a população LGBTQIA+. A própria agenda da campanha de Sâmia registrava o encontro como “Debate Sâmia X Pavanato”.

Na abertura, Sâmia afirmou que ainda esperava a chegada do adversário. “Ainda dá tempo do candidato chegar. Se ele quiser, estou disposta a debater com ele”, disse. Ao comentar a ausência, questionou a disposição de Pavanato para enfrentar um debate presencial: “Acho que tem outros candidatos e candidatas mais bem preparados, com mais condições, com coragem. Porque coragem é bem importante pra você entrar na política.”

Nas redes, Sâmia ironizou a ausência do candidato bolsonarista: “Surpreendendo um total de 0 pessoas: LUCAS PAVANATO ARREGOU! Desistiu de vir debater comigo. Tão machão nas redes sociais, mas cadê ele pra debater cara a cara? Pavanato pode até ter fugido do debate comigo hoje, mas, se for eleito, nãsao vai ter pra onde correr. Arregão!”

Direitos, trabalho e crise climática no centro da sabatina

Sem o confronto inicialmente previsto, Sâmia apresentou aos estudantes parte das propostas que pretende levar para um eventual novo mandato. Entre elas, citou o combate à misoginia e à LGBTfobia, políticas de inclusão para a população trans, enfrentamento ao racismo, fim da escala 6×1 e medidas de enfrentamento à crise climática.

“É necessário combater os red pills também nas redes sociais porque eles inflam, estimulam e organizam ataques contra as mulheres brasileiras”, afirmou. Na sequência, defendeu políticas voltadas à população LGBTQIA+: “É preciso defender o direito de ser e de amar, defender cotas para a população trans, o direito ao casamento igualitário, a adoção, ao casamento homoafetivo. A gente precisa de um país que seja pleno e com direitos e com diversidade.”

Ao abordar o racismo, Sâmia relacionou a desigualdade racial às condições de trabalho e ao acesso à educação. “A população preta no Brasil, infelizmente, ainda sofre com os resquícios da escravização que o nosso Brasil enfrentou. Basta ver quem tá nos empregos mais precários, quem ocupa os postos de trabalho terceirizados, quem conseguiu chegar na universidade, mas infelizmente não consegue avançar para bons postos de trabalho. É disso que se trata também o racismo estrutural no nosso país.”

Sobre o mundo do trabalho, voltou a defender o fim da escala 6×1. “Precisamos conquistar o fim da escala 6×1 porque ela sucumbe trabalhadoras e trabalhadores a não terem direito ao descanso e a passar tempo com a sua família, ao esporte, à cultura ou a frequentar a sua igreja, a professar a sua fé.”

A crise climática também ocupou parte da discussão. Sâmia relacionou os efeitos de eventos extremos às desigualdades urbanas e habitacionais. “Eu acho que a gente tá diante de um colapso climático, a gente tá falando nem de crise. […] É a população que mora nas encostas, nas áreas que não são propícias à moradia, mas é onde as pessoas conseguem morar diante, inclusive, de uma falta de reforma urbana e de políticas habitacionais.”

Ela também defendeu mudanças no modelo de desenvolvimento, com investimentos em indústria, universidades, ciência e tecnologia, além de reforma agrária e políticas de preservação ambiental.

Na discussão sobre a população trans, Sâmia citou a experiência da UFABC, que adotou cotas para pessoas trans, e apresentou uma proposta de programa de empregabilidade para essa população. “Eu tenho uma proposta que eu quero protocolar no meu próximo mandato, que é de que haja um programa de empregabilidade para a população trans”, afirmou.

Para ela, o acesso à renda e ao trabalho está diretamente relacionado à possibilidade de viver com autonomia e segurança. “A renda baixa ou a falta de renda ou a falta de trabalho ainda é um dos principais gargalos para as pessoas não viverem uma vida sem violência. Ter dinheiro no banco ou ter dinheiro no bolso é fundamental para a pessoa conseguir viver com dignidade.”

Em nota, o Centro Acadêmico 4 de Dezembro informou que, apesar do cancelamento de Pavanato, decidiu manter o projeto em formato de sabatina e agradeceu à equipe da candidata pela disponibilidade em participar.

Leia a íntegra da nota do Centro Acadêmico 4 de Dezembro da ESPM:

Prezados alunos e toda a comunidade ESPM,

O Centro Acadêmico 4 de Dezembro informa que o candidato Lucas Pavanato não participará mais do debate previsto para hoje, no Belisco. Segundo sua equipe, o cancelamento ocorreu por questões pessoais e de agenda.

Lamentamos o cancelamento, especialmente por ter ocorrido às vésperas do evento, quando toda a estrutura já estava organizada mobilizada para a realização do debate. Sabemos do envolvimento de alunos, professores, equipes e assessorias na construção desse momento e, por isso, entendemos a frustração que essa mudança pode causar.

Apesar da alteração, o projeto seguirá acontecendo. A partir da confirmação da permanência da deputada Sâmia Bomfim, adaptaremos encontro para o formato de sabatina, com perguntas sobre suas propostas, atuação política e diferentes temas de interesse dos estudantes.

Gostaríamos também de registrar nosso agradecimento especial à equipe da Sâmia Bomfim, que desde o início demonstrou muito comprometimento, disponibilidade e compreensão com a construção do projeto e, mesmo diante da mudança de formato, manteve-se aberta a participar e dialogar com os estudantes.

O objetivo do Entre Votos continua sendo o mesmo: aproximar os estudantes do debate político e criar um espaço para que possam conhecer, questionar e discutir diferentes propostas.

Fotos: Rebeca Meyer/ASCOM