Pular para o conteúdo

Luiza Erundina e Sâmia Bomfim estão juntas nesta eleição em uma dobrada para São Paulo: Erundina concorre a deputada estadual pelo PSOL, com o número 50555, enquanto Sâmia disputa a reeleição para a Câmara dos Deputados, pelo número 5000. A parceria aproxima duas gerações de uma mesma tradição política e também reúne duas trajetórias que se cruzaram no Congresso Nacional.

Erundina: uma trajetória ligada às lutas populares

Assistente social de formação, Luiza Erundina começou sua trajetória institucional como vereadora de São Paulo, foi deputada estadual e, em 1989, tornou-se a primeira mulher a governar a capital paulista. Depois, seguiu para a Câmara dos Deputados, onde exerceu sete mandatos consecutivos entre 1999 e 2027. Ao longo desse percurso, passou pelo PT, pelo PSB e, desde 2016, pelo PSOL, mantendo uma atuação política vinculada às lutas sociais, aos direitos da classe trabalhadora e à participação popular.

Sâmia: do movimento estudantil para o Congresso

Sâmia Bomfim construiu sua trajetória política a partir do movimento estudantil e das mobilizações feministas. Foi eleita vereadora de São Paulo em 2016 e chegou à Câmara dos Deputados em 2019, onde exerce o segundo mandato. Sua atuação parlamentar inclui pautas relacionadas aos direitos das mulheres, combate à violência de gênero, trabalho, educação, direitos humanos e serviços públicos.

Duas trajetórias que se encontraram na Câmara

A proximidade entre as duas também foi construída no trabalho parlamentar. Durante o período em que compartilharam a rotina na Câmara, Erundina e Sâmia participaram de iniciativas conjuntas em diferentes áreas. Entre elas está a PEC 25/2023, de autoria de Erundina e que também tem Sâmia entre as parlamentares que a subscreveram, criando diretrizes para o Sistema Único de Mobilidade e abrindo caminho para políticas de Tarifa Zero no transporte público. Em 2026, Sâmia voltou a defender a proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Outra iniciativa recente construída pelas duas é o PL 795/2025, de autoria de Sâmia e Erundina, que propõe suspender a remuneração e os proventos de militares condenados por crimes de violência contra mulheres praticados durante a ditadura militar. A proposta avançou na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher em 2025.

Em vídeo divulgado recentemente nas redes, Erundina relembra essa relação e fala da identificação que percebe entre suas trajetórias: “Eu me vejo um pouco em você”. “O PSOL merece você, seu mandato é realmente muito importante. Estou concluindo a minha tarefa na Câmara Federal, a minha empreitada, mais certa de que vai ter você dando o recado lá no Congresso”, declara a veterana.

Sâmia, por sua vez, destaca o papel que atribui à trajetória de Erundina no estado: “É uma necessidade para o estado de São Paulo ter um mandato como seu, que é um mandato popular, que constrói mobilização junto ao povo, que estimula a formação de novas lideranças populares.”

Manifesto reúne apoio à dobrada

A parceria entre Luiza Erundina e Sâmia Bomfim também é apresentada em um manifesto público de apoio à dobrada. O texto afirma que São Paulo precisa de mulheres que “não entraram na política para administrar injustiças, mas para enfrentá-las” e define a parceria como uma “aproximação que reúne experiência, coragem e compromisso com as lutas populares”.

O manifesto também destaca as trajetórias das duas candidatas e sintetiza a proposta política da dobrada: “Mandato não é projeto individual: é instrumento de organização popular e transformação social”. Ao final, o texto apresenta Erundina e Sâmia como representantes de “uma política feminista, socialista e independente — uma política que enfrenta privilégios e coloca a dignidade humana acima do lucro”.

O texto completo, com mais informações sobre a parceria entre as duas candidaturas, está disponível em samiaeerundina.com.br/#manifesto.

Foto: Divulgação/ASCOM