Sâmia lança campanha à reeleição e comemora aniversário diante de mais de 2 mil pessoas em São Paulo
Encontro na Barra Funda reuniu militantes, movimentos sociais, artistas, parlamentares, familiares e apoiadores de diversas regiões do estado; em discurso, candidata defendeu soberania, socialismo, direitos das mulheres e mobilização popular para derrotar a extrema direita
Mais de 2 mil pessoas lotaram, neste domingo (23), o Espaço Usine, na Barra Funda, em São Paulo, para o lançamento oficial da candidatura de Sâmia Bomfim à reeleição para a Câmara dos Deputados. O evento, que também celebrou o aniversário da candidata, reuniu militantes, apoiadores, voluntários, artistas, lideranças, movimentos sociais e caravanas de diferentes regiões do estado em uma grande mobilização em torno da continuidade de um mandato feminista, socialista e combativo.
Ao longo da programação, o público acompanhou manifestações de apoio, apresentações artísticas, balanços da atuação de Sâmia ao longo de dez anos de vida pública e a convocação para o “Time Sâmia”, estrutura voluntária criada para ampliar a campanha pelas ruas e pelas redes. A atividade contou com um cortejo formado por mães e crianças, que acompanharam Sâmia até o palco, e foi conduzida por Bruna Biondi, vereadora pelo PSOL em São Caetano do Sul, e Carol Vilar, militante do coletivo Juntas.

Um mandato construído com as lutas populares
A primeira parte da programação foi dedicada à apresentação de mulheres e lideranças vinculadas às diferentes frentes de atuação do mandato. Subiram ao palco Jade Percassi, do MST; Txai Suruí, liderança indígena; a intelectual transfeminista Amara Moira; Mayara Manso Vidigal, ferroviária que participou da luta contra a privatização da CPTM; Lívia La Gatto, atriz, roteirista e integrante do Levante Mulheres Vivas; Anelis Assumpção, cantora, compositora e diretora do Instituto Itamar Assumpção; Veronica Oliveira, palestrante, escritora e criadora da página Faxina Boa; Laís Rodrigues, trabalhadora ambulante do Brás; Dani Sampaio, ativista e representante do movimento das doulas; Ana Lígia Soares, obstetriz e presidenta da associação da categoria; Fernanda Azevedo, atriz, integrante do Coletivo Comum e coordenadora da Escola Livre de teatro; Ana Pantaleão, do coletivo Juntas e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas; Mayra Ribeiro, militante das pessoas com deficiência; Eliane Garcia, professora e diretora da APEOESP; Vanessa Monteiro, coordenadora do Coletivo Maré Negra; Maria Gabryella Silva, estudante e integrante da Rede Emancipa; Iyá Nifá Ivi, da Rede Emancipa Axé; e Adriane Ribeiro de Iansã, dos movimentos de educação popular e de terreiro. A apresentação das lideranças reforçou o caráter coletivo da construção política da candidatura.
Bruna e Carol também destacaram a dimensão territorial da mobilização. Caravanas chegaram de Ribeirão Preto, São Carlos, Rio Claro, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Mirante do Paranapanema, Campinas, Votorantim, Limeira, Mogi Guaçu, Sorocaba, Salto, Jacareí, Taubaté, Mogi das Cruzes, Poá, Arujá, Guarulhos, Franco da Rocha, Francisco Morato, Cajamar, Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira, Santana de Parnaíba, Cotia, Itapevi, Taboão da Serra, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, cidades do ABC Paulista, além de Itanhaém, Peruíbe, Mongaguá, Santos e Araraquara.

Glauber: “A batalha decisiva para o futuro”
Também candidato à reeleição como deputado federal pelo Rio de Janeiro, Glauber Braga foi um dos primeiros a discursar. Ao destacar a presença de militantes de diferentes regiões e movimentos, afirmou que a diversidade do público era uma demonstração concreta da capacidade de mobilização em torno da candidatura de Sâmia, com quem é casado e tem um filho com idade ainda na primeira infância.
Glauber também relembrou o pioneirismo de Sâmia na denúncia do orçamento secreto na Câmara dos Deputados e destacou sua atuação junto às lutas populares. Para ele, a campanha representa a continuidade de uma trajetória socialista e radical: “Eu tenho muito orgulho de estar ao lado, na trincheira, dessa companheira que é imprescindível como militante socialista, radical, que escolheu estar do lado daqueles e daquelas que não se entregam.”
Ele relacionou, ainda, a atual luta política ao futuro das próximas gerações e às dificuldades enfrentadas pela família de Sâmia após a morte de seu irmão, em outubro de 2023. “A batalha que nós estamos fazendo agora é a batalha decisiva para saber como os nossos filhos estarão daqui a 10, 15 anos”, frisou Glauber. Segundo o deputado, a dor da companheira foi transformada em esperança e reforçou sua disposição de seguir na disputa política.
Em seguida, subiram ao palco candidaturas aliadas: Débora Camilo, Claudiney Generoso, Carolina Simon e Fernanda Garcia. Débora destacou a importância da candidatura de Sâmia para a Baixada Santista e defendeu uma votação histórica como resposta à extrema direita. Claudinei, do interior paulista, ressaltou a presença do mandato em cidades menores e a defesa de servidores públicos e da população LGBTQIA+. Carol Simon, que também disputa uma vaga na Assembleia Legislativa, afirmou que a luta no interior contra a ideologia red pill e pela vida das mulheres passa pela construção conjunta com Sâmia. Fernanda Garcia destacou a sua trajetória compartilhada com Sâmia desde o início e afirmou que, diante de uma campanha em que a extrema direita dispõe de máquinas e recursos, a esquerda tem “as ruas, o coração e a coragem” para enfrentar a disputa.
Marina Silva: “A eleição da Sâmia é a eleição de uma causa”
A presença da candidata ao Senado Marina Silva (Rede-SP) foi um dos momentos de maior destaque na primeira metade da atividade. Ao parabenizar Sâmia, a ex-ministra ressaltou sua história e estabeleceu paralelos entre as experiências de mulheres na política. “A eleição da Sâmia não é apenas a eleição da Sâmia. É a eleição de uma causa, é a eleição de uma postura de vida diante do mundo”, ressaltou.
Marina também recordou que, anos antes, havia sido cobrada por ausência em plenário após o nascimento da filha, situação que relacionou à experiência de Sâmia durante a maternidade. Para ela, a atuação da candidata na defesa dos direitos das mulheres expressa uma pauta que extrapola a disputa eleitoral individual. “Por isso que a sua luta em defesa dos direitos das mulheres em todos os sentidos é fundamental”, reforçou.
Ao final, Marina pediu apoio às duas candidaturas e defendeu a combinação entre a mobilização eleitoral e a defesa de direitos das mulheres, da juventude, da população negra, das periferias e dos povos indígenas.

Apoios, partido e organização
Durante a programação, foi exibido um vídeo com mensagens de apoio à candidatura. Participaram dos depoimentos Leoni, Alessandra Maestrini, Marco Nanini, Fernando Caruso, Kiko Mascarenhas, Edgar Scandurra e Angela Dippe.
Na sequência, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, destacou o compromisso de Sâmia com o projeto partidário, sua atuação na CPI do MST em defesa da reforma agrária e contra o PL 1.904/2024, que ficou conhecido como “PL do Estuprador” após a mobilização liderada pela candidata contra o projeto. Segundo ela, a candidatura representa um projeto político capaz de reunir classe, gênero, raça e diferentes formas de existência da classe trabalhadora.
A vereadora de São Paulo Luana Alves reforçou o caráter coletivo da construção política e convidou quem ainda não é filiado ao PSOL a participar da organização partidária. Em sua fala, destacou a importância da persistência na militância e defendeu que a construção socialista é um compromisso permanente, especialmente diante da crise climática e do avanço da extrema direita. “Mais importante do que a intensidade é a persistência.”
A partir desse chamado, Bruna Biondi apresentou oficialmente o “Time Sâmia”, estrutura voluntária que pretende organizar a campanha nos diferentes territórios. A proposta inclui panfletagem, organização de plenárias em casas, participação em grupos de WhatsApp, produção de conteúdo digital e formação de redes locais de apoiadores. A mobilização foi apresentada como uma forma de transformar o apoio à candidatura em organização permanente.
Já a diretora executiva da Fundação Lauro Campos-Marielle Franco, Mari Riscali, também destacou a dimensão estratégica da eleição. Ao defender a unidade do PSOL em torno da candidatura de Lula à Presidência, afirmou que a disputa precisa combinar a derrota eleitoral da extrema direita com a construção de uma alternativa socialista e anticapitalista. “É necessário apresentar um programa ecossocialista. É necessário organizar um polo de esquerda anticapitalista, da esquerda radical. E é isso que a Sâmia representa”, disse a dirigente.
A vereadora de Campinas Mariana Conte, por sua vez, fez uma fala em defesa da soberania nacional e da solidariedade internacional. Ao mencionar sua participação em uma missão humanitária de apoio ao povo palestino, destacou a atuação de Sâmia contra discursos fascistas e em defesa das mobilizações populares. Mariana, candidata nesta eleição a deputada estadual, afirmou ainda que a defesa da soberania depende de povo organizado e solidariedade internacional e convocou a militância a enfrentar o fascismo e construir outro futuro: “Coragem é um sentimento coletivo. É só quando a gente anda junto que a gente tem coragem de enfrentar esses desafios.”
Mônica Seixas, do mandato coletivo Movimento Pretas, destacou a parceria de mais de uma década com Sâmia na defesa das mulheres, da população LGBTQIA+, da população negra, das pessoas com deficiência, das crianças e das pessoas idosas. Ela lembrou a atuação conjunta contra a CPI do MST, em defesa do aborto legal e no enfrentamento ao governo de Tarcísio de Freitas. “Há mais de 10 anos juntas, a gente prometeu a defesa intransigente das mulheres, das LGBTs, negros e negras, das PCDs, das crianças, dos idosos”, exaltou Mônica. Candidata à reeleição na Alesp, ela também denunciou o avanço da violência de gênero e defendeu que Sâmia representa uma política de enfrentamento ao racismo, ao fascismo e à misoginia.

Sâmia: “Essa é uma eleição histórica”
O momento central do lançamento foi o discurso de Sâmia Bomfim. Antes de passar a palavra à candidata, a equipe de campanha exibiu um vídeo sobre sua trajetória política, desde a primeira eleição para vereadora até a votação superior a 200 mil votos no último pleito. O material também recuperou momentos de enfrentamento no Congresso, incluindo a denúncia do orçamento secreto, manifestações contra tentativas de anistia aos golpistas e projetos que restringem direitos das mulheres.
Ao assumir o microfone, emocionada, Sâmia agradeceu a presença do público, da organização, dos voluntários e dos apoiadores que constroem a campanha. Em um momento de emoção, agradeceu especialmente aos pais, ao filho e a Glauber Braga, que acompanhavam a atividade ao lado do palco.
A candidata iniciou sua fala afirmando que a eleição de 2026 será decisiva não apenas para sua trajetória política, mas para as próximas gerações. “Essa é uma eleição histórica. Ela é fundamental para as nossas vidas, para as próximas gerações. Ela é fundamental para a sobrevivência do nosso povo e para as nossas crianças.”
Sâmia retomou acontecimentos dos últimos anos para estabelecer o que considera os termos centrais da disputa: enfrentamento ao autoritarismo, defesa da democracia e da soberania nacional. Lembrou a fome representada pela chamada “fila do osso”, a gestão da pandemia de Covid-19, a contrarreforma da Previdência e o 8 de Janeiro, além dos ataques às universidades, às artes, aos partidos e às organizações sociais promovidos pela extrema direita.

Socialismo como projeto de futuro
Na sequência, Sâmia defendeu a reeleição de Lula como parte da disputa pela soberania brasileira e afirmou que sua campanha também apresenta um projeto de futuro baseado no socialismo. “O socialismo é uma utopia concreta e é a única possibilidade de pôr fim a esse modelo que coloca o lucro acima da vida.”
A candidata também destacou a necessidade de organização política para enfrentar um período prolongado de disputa. Segundo ela, a luta contra a extrema direita não se resume à eleição, mas exige organização, mobilização e formação política. “A luta contra a extrema direita não é uma corrida de 50 metros, é uma longa maratona.”
Sâmia criticou ainda o programa neoliberal e defendeu a revogação das reformas trabalhista e da Previdência, o fim do teto de gastos e a ampliação dos recursos destinados às universidades. Também relacionou a disputa nacional às condições de vida das mulheres, defendendo medidas de enfrentamento ao feminicídio e à precarização dos serviços públicos.
Balanço de um mandato de luta
Ao fazer um balanço de sua atuação no Congresso, Sâmia definiu o mandato como instrumento de organização popular e de denúncia dos interesses daqueles que se consideram donos do poder. “Mandato é instrumento de luta e de organização do nosso povo.”
A candidata destacou a atuação na CPI do MST, onde defendeu a reforma agrária e a ocupação de terras improdutivas, e lembrou que as posições adotadas na comissão resultaram em duas representações no Conselho de Ética. Ao mesmo tempo, mencionou os reconhecimentos recebidos por sua atuação parlamentar.
Sâmia também retomou a mobilização contra o “PL dos Estupradores” e a campanha “Criança não é mãe, estuprador não é pai”. Destacou a atuação do movimento feminista para barrar a proposta e, em seguida, lembrou a mobilização contra a chamada PEC da Blindagem.
Outro ponto destacado foi a aprovação, pela Câmara, do fim da escala 6×1. Sâmia afirmou que pretende continuar pressionando o Senado para transformar a medida em uma vitória definitiva dos trabalhadores. “O povo brasileiro não merece viver somente para trabalhar e merece direitos e vida para além do trabalho.”
A candidata também mencionou a regulamentação da profissão de doula, a ampliação da licença-paternidade para famílias atípicas e a defesa do Benefício de Prestação Continuada.

“Não somos vendedores de falsas promessas”
Ao projetar o próximo mandato, Sâmia rejeitou a lógica de promessas eleitorais sem compromisso com a mobilização social. “A gente não é vendedor de falsas promessas, não se promete nada para ninguém. A nossa única promessa e compromisso é que a gente não vai arredar o pé de nenhuma das lutas e de nenhum dos enfrentamentos que são necessários.”
A candidata também reafirmou a centralidade das mulheres na disputa política e criticou a violência de gênero e a precarização dos serviços públicos em São Paulo. Segundo ela, o enfrentamento ao atual governo estadual e a defesa de outro projeto para o estado devem fazer parte da campanha das candidaturas apoiadas pelo mandato.
Sâmia chamou ainda a atenção para a necessidade de fortalecer as candidaturas de mulheres e ampliar sua presença nos espaços de poder. A disputa, afirmou, precisa combinar a defesa de direitos com a organização popular para alterar a correlação de forças na sociedade.
O encerramento político foi marcado por uma convocação ampla à mobilização: “Nós temos que ter coragem, ter capacidade de diálogo, mas também disposição de luta e de mobilização.”
Antes do fim da fala, Sâmia saudou as lutas em defesa da natureza, da Previdência, das universidades, dos professores, servidores, estudantes, movimentos sem-terra e sem-teto, trabalhadores, artistas, população LGBTQIA+ e população negra. A convocação foi sintetizada no chamado à luta, à coragem e aos sonhos que dão identidade à campanha.
Festa, aniversário e organização da campanha
Depois do discurso de Sâmia, a programação entrou em sua etapa de celebração do aniversário. A apresentadora Jenny Prioli subiu ao palco com um bolo e conduziu os parabéns, acompanhada pelo público, em uma homenagem que contou com a presença dos pais da candidata, Toninha e Domingos Bomfim.
Na sequência, Jenny fez uma breve fala de homenagem e desejou a reeleição de Sâmia: “Que honra, gente, me parecer com a Sâmia, que é uma mulher que exerce a função dela, que é primordial, que é fundamental com tanto coração, mas não só, com sabedoria, com coragem.” Nas redes sociais, há tempos, internautas apontam a semelhança física entre as duas, o que também rende memes.
O encerramento do lançamento deu lugar à festa de aniversário, com apresentação da DJ Carlu. Uma imensa fila se formou entre interessados em registrar uma foto com Sâmia e trocar algumas palavras com a candidata. A organização manteve, porém, o caráter político do encontro até o último momento, com uma banquinha de filiação ao PSOL e uma mesa de inscrição para o Time Sâmia.
A orientação aos apoiadores foi transformar a energia do lançamento em trabalho de campanha: cadastrar-se no Time Sâmia, participar das atividades, organizar ações nos territórios, divulgar os materiais e ampliar a força eleitoral da candidatura, construída a partir das ruas, da participação popular, da organização coletiva e da presença nas redes.
