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Sâmia Bomfim vai pausar a agenda de campanha em São Paulo nesta quarta-feira (2) para estar em Brasília e acompanhar de perto a votação da PEC 221/2019 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que pode dar um passo decisivo para acabar com a escala 6×1 no país. Candidata à reeleição como deputada, ela participa da mobilização pela aprovação da proposta e da articulação pela pressão sobre os senadores, em uma semana considerada decisiva para os direitos da classe trabalhadora.

A PEC é o primeiro item da pauta da CCJ, que se reúne pela manhã. O texto estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado e sem redução de salário. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à proposta e afirmou, nesta terça (1º),  que pretende aprová-la na comissão e buscar a votação imediatamente no plenário, com a adoção de um calendário especial.

A presença de Sâmia em Brasília dá continuidade à mobilização do último domingo (30), quando ela participou de um grande ato na Avenida Paulista pelo fim da escala 6×1. Durante o protesto, a candidata já havia antecipado que a pressão das ruas chegaria ao Senado nesta semana. “Daqui até quarta-feira, nós vamos pressionar nas redes sociais, vamos para cima dos senadores para garantir essa nossa conquista”, afirmou.

Agora, Sâmia leva essa mobilização para dentro do Congresso. Para ela, a aprovação da PEC depende da combinação entre organização popular, pressão sobre os parlamentares e enfrentamento às tentativas de desfigurar a proposta. A votação acontece durante o último esforço concentrado dos parlamentares antes do período eleitoral. Caso avance na CCJ, a PEC ainda precisará ser aprovada em dois turnos pelo plenário do Senado.

Ao mesmo tempo em que trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais ampliam a pressão em Brasília – com vigílias realizadas em frente ao Senado – setores da direita traçam planos para barrar ou adulterar o texto aprovado pela Câmara. No 1º de Maio, durante ato em São Paulo, Sâmia  defendeu a organização de uma jornada nacional de lutas pela redução da jornada e afirmou que “é na rua que nós vamos arrancar nossas conquistas”. Na ocasião, também criticou as tentativas de setores da direita de alterar o conteúdo da proposta para criar uma espécie de nova reforma trabalhista.

Na Câmara, Sâmia esteve na linha de frente da votação da PEC em maio, quando a proposta foi aprovada em dois turnos e encaminhada ao Senado. Durante a tramitação, parlamentares bolsonaristas passaram a apresentar alternativas que, segundo Sâmia, buscavam tumultuar o debate e enfraquecer a conquista dos trabalhadores. Em um dos momentos que marcaram a votação, a então deputada entregou um frasco de “óleo de peroba” a Nikolas Ferreira (PL-MG), ironizando as tentativas de seu grupo político de se apresentar como defensor dos trabalhadores após meses de críticas ao fim da escala 6×1.