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Programa Político

Educação Básica

Defender uma educação básica que seja pública, democrática e emancipadora

A educação básica é um terreno de disputa fundamental da sociedade. Assim como a saúde, a educação básica é um dos poucos serviços que busca chegar a todos os cantos do Brasil, enfrentando os desafios de atender uma população com perfis socioeconômicos, étnico-raciais, culturais e de gênero muito desiguais e diversos. Podemos dizer, assim, que as políticas públicas para este tema podem influenciar significativamente a formação social das futuras gerações. Não à toa, este também é um dos campos que vem sendo fortemente disputado por grandes setores empresariais e pelas ideologias conservadoras da extrema direita.

Em nível nacional, acompanhamos importantes retrocessos nos últimos anos com a implementação do Novo Ensino Médio durante o governo Michel Temer, bem como o estímulo à perseguição aos professores e a uma perspectiva crítica de educação durante o Governo Bolsonaro. Com a eleição de Lula em 2022, foi possível reduzir essa agenda de ataques, mas estamos ainda muito distantes do projeto de educação que defendemos. A aprovação das mudanças no Ensino Médio em 2023 melhorou a grade curricular, mas ainda está aquém do período anterior à reforma do Governo Temer (que já possuía muitos problemas); ao mesmo tempo, o Ministério da Educação segue capturado por grandes conglomerados privados, como a Fundação Lemann, que disputa não só o bilionário orçamento do MEC (aproximadamente R$ 270 bilhões por ano), mas também a própria perspectiva do que é ensinado e como.

Temos acompanhado o desdobramento dessas transformações nas redes estaduais e municipais, as grandes responsáveis pela educação básica no país. Em linhas gerais, o ensino tem sido pautado por uma perspectiva mercadológica, que transforma a educação em um negócio enquanto disputa ideologicamente nossos bebês, crianças, jovens e adultos para uma perspectiva competitiva e empreendedora. Enquanto se aposta cada vez mais em transferir serviços escolares (merenda, vigilância, limpeza), gestões ou até escolas inteiras para a iniciativa privada, prioriza-se firmar contratos milionários com empresas de fornecimento de uniforme, material didático e plataformas digitais. Também temos acompanhado o crescimento de perspectivas conservadoras, que buscam aprisionar a visão de mundo dos estudantes a uma perspectiva elitista, branca, eurocêntrica, cristã, masculina, cisgênero e normatizadora das desigualdades sociais, atacando professores em nome de uma suposta “liberdade” que cerceia o direito da população pobre e negra a acessar a multiplicidade de conhecimentos e culturas já produzidos pela humanidade.

A consequência disso é uma escola que serve para domesticar e não emancipar, que se distancia dos sonhos e faz pouco sentido para os nossos jovens, que reproduz as violências estruturais de todos os tipos que moldam a sociedade brasileira (de gênero, raciais, contra pessoas com deficiência etc.), seja de forma velada ou até mesmo de forma aberta. Além disso, este processo submete os trabalhadores em educação a situações críticas de exaustão, sobrecarga, intensificação de conflitos e pressão desproporcional para que se atinjam as metas educacionais sem ter estrutura para tal. Somente no Estado de São Paulo, são cerca de 500 mil trabalhadores da educação pública, levando em consideração as esferas municipal, estadual e federal, que sofrem cotidianamente com condições precárias, falta de equipamentos, salas superlotadas, jornadas exaustivas e cobranças desproporcionais enquanto são cada vez mais excluídos das decisões a respeito das políticas educacionais.

Soma-se a isso a crescente discussão sobre os desafios para garantir uma escola pautada nos princípios da educação inclusiva. A Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – LBI)., que garante um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, representou um enorme avanço no direito das pessoas PCDs e neuroatípicas e para a sociedade de conjunto, mas os governos não têm oferecido estrutura adequada para garantir a inclusão. Isso tem aprofundado a sobrecarga dos profissionais da educação, ao mesmo tempo em que leva a uma segregação das pessoas atípicas dentro do próprio ambiente escolar, garantindo uma inclusão muitas vezes “de fachada”, apesar dos enormes esforços do corpo de trabalhadores das escolas.

A escola, assim, enquanto uma ferramenta de formação dos futuros trabalhadores, tem formado, em linhas gerais, jovens para trabalhar em empregos precários nas grandes cidades. Consequência disso é que hoje somente uma parcela pequena da juventude negra e pobre almeja tentar uma vaga no ensino superior quando termina o ensino médio (apesar da enorme conquista que significou a Lei de Cotas), quando não abandona os estudos antes mesmo da conclusão do ensino médio por conta das pressões concretas da vida (necessidade de trabalho, do cuidado, entre outras demandas). Em um sentido amplo, a educação atual se relaciona diretamente com a perspectiva de um país que não busca formar novas gerações visando superar sua posição enquanto uma economia dependente, pautada na exportação de commodities ao passo que sustenta uma economia majoritariamente de serviços nas grandes cidades.

Diante disso, defendemos um programa radicalmente diferente. O Brasil já teve nomes que foram ponta de lança de teorias revolucionárias para a educação, como Paulo Freire, que defendeu uma educação pautada na construção do conhecimento partindo dos saberes de cada educando, desvendando as desigualdades sociais, ao invés de um depósito de conteúdos desvinculados da realidade concreta, que acabam por normalizar os problemas sociais. Queremos uma educação que seja crítica e emancipadora, que seja integral, inclusiva e garanta a formação de toda a multiplicidade de sujeitos em suas mais variadas dimensões. É fundamental combater o obscurantismo e as tentativas de impor o pensamento único na escola; por isso, defendemos uma educação profundamente antirracista, feminista, LGBT e comprometida com o letramento ambiental. Também precisamos defender e ampliar a gestão democrática das escolas, fortalecendo a participação das comunidades escolares nas decisões dos rumos educacionais. Por fim, para se construir uma educação de qualidade, é necessário ter profissionais valorizados, com boas condições de trabalho, carreiras bem estruturadas e incentivos a se formarem e aperfeiçoarem.

Defendemos

Saúde nas escolas

  • Educação sexual no Ensino Básico, tratando de tópicos como consentimento
  • Prevenção, detecção e tratamento de ISTs e métodos contraceptivos.

Por uma escola emancipadora

  • Pela discussão sobre diversidade de gênero e sexualidade nas escolas e o combate à discriminação, ao machismo, ao assédio sexual e à LGBTQIA+fobia.
  • Inclusão de disciplinas obrigatórias para discussão de diversidade de gênero e sexualidade na grade curricular dos cursos de licenciatura.
  • Em defesa da distribuição gratuita de absorventes nas instituições de ensino.
  • Pelo reconhecimento do nome social.

Educação antirracista

  • Ensino de história e cultura africana e indígena no ensino básico, fiscalizando a aplicação da Lei nº 11.645/2008.
  • Inclusão de disciplinas obrigatórias para discussão da temática étnico-racial na grade curricular dos cursos de licenciatura.

Educação inclusiva

  • Ensino de Língua Brasileira de Sinais (Libras) na Educação Básica e nos cursos de licenciatura.
  • Pela contratação de tradutores de Libras para o acompanhamento de estudantes surdos.
  • Fiscalização dos estabelecimentos de ensino para que haja acessibilidade para pessoas com deficiência visual e com mobilidade reduzida.
  • Pela contratação de profissionais de pedagogia ou psicopedagogia para o acompanhamento de estudantes neurodivergentes que necessitem e/ou desejem ser acompanhados.

Autonomia e participação

  • Por uma educação democrática e emancipadora.
  • Queremos uma reforma do Ensino Médio construída a partir de baixo: que a elaboração e alteração das políticas educacionais passem por processos de discussão democrática envolvendo estudantes, funcionários técnico-administrativos, docentes e especialistas em educação.
  • Não ao projeto “Escola Sem Partido” e à perseguição política a docentes, funcionários técnico-administrativos e estudantes.
  • Respeito à gestão democrática e à autonomia dos conselhos de escola.
  • Ampliação do Censo Escolar, incluindo questões de renda, gênero e raça/cor.
  • Reelaboração do Plano Nacional de Educação, garantindo efetiva participação popular.
  • Proibição dos projetos que descaracterizam a instituição escolar, como escolas cívico-militares e homeschooling.

Valorização da educação e seus profissionais

  • 10% do PIB para a educação pública e gratuita.
  • Pela redução da jornada de trabalho em sala de aula dos professores e estímulo à formação continuada.
  • Universalização das creches e da educação infantil 100% pública.
  • Ampliação das verbas para a educação via uma reforma tributária solidária e outras medidas econômicas que visem aumentar a arrecadação do Estado e romper com a política de “disciplina fiscal”.
  • Valorização do magistério: aumento do piso salarial dos professores (e correta aplicação), incentivo à formação continuada e plano de carreira que valorize experiência e formação.
  • Redução do número de alunos por professor na educação básica e no ensino superior.
  • Proibição da terceirização da educação pública e da terceirização da atividade-fim das instituições de ensino em geral (inclusive particulares), e em defesa dos direitos dos trabalhadores terceirizados.

Defendemos

Derrotar a extrema direita e sua política de terror contra a educação pública no estado de São Paulo

“Ai daqueles e daquelas que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã, o futuro, pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora, ai daqueles que em lugar desta constante viagem ao amanhã, se atrelem a um passado de exploração e de rotina”.

(Paulo Freire – Educação: o sonho possível)

A educação pública do Estado de São Paulo enfrenta nos últimos três anos a fúria da extrema direita e sua política de terror contra professores, estudantes e demais funcionários. Além da contradição do Estado mais rico do país pagar um dos piores salários aos seus professores e das péssimas condições de trabalho, Tarcísio de Freitas cortou 12 bilhões de reais dos recursos educacionais, aprofundando o sucateamento e ampliando os ataques através da privatização de 33 escolas, da militarização de cerca de 100 escolas e da ampliação da plataformização; implantou a reorganização das escolas, impôs o fechamento de centenas de classes do período noturno e implantou o ensino a distância na EJA. Retirou a autonomia pedagógica dos docentes, que passaram a sofrer com o sistemático assédio moral e com a famigerada Avaliação de Desempenho, submetendo os professores a um sistema de terror e de desvalorização constante. As consequências deste desmonte das condições de trabalho têm provocado o adoecimento dos profissionais de educação e, em alguns casos dramáticos, têm levado à prática de atos extremos. Neste cenário de horror, a categoria tem resistido através de inúmeras lutas para evitar a privatização total da educação.

A luta decisiva dos mandatos das deputadas Sâmia Bomfim e Mônica Seixas em defesa da educação pública é fundamental tanto para combater os ataques aos nossos direitos como para apresentar proposituras com objetivo de buscar conquistar reivindicações da categoria. Por exemplo, a apresentação do projeto para retirada da educação e da saúde do teto de gastos, a luta pelo descongelamento do tempo que foi congelado por Bolsonaro na época da pandemia e só neste ano foi conquistado, a luta contra a reforma do ensino médio. A luta em defesa da valorização e do respeito à profissão docente sempre contou com a ação decisiva das parlamentares no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, denunciando os ataques de Tarcísio de Freitas contra a educação pública estadual, sendo vozes potentes das pautas e das reivindicações dos professores tanto nas ruas como na ALESP e no Congresso Nacional. Além de lutar contra os cortes dos recursos educacionais, os mandatos enfrentaram e debateram o novo Plano Decenal, defendendo que um programa para a educação pública tem que ser formulado e aprovado pelos profissionais de educação que estão no chão da escola, sofrendo com os baixos salários, as péssimas condições de trabalho e a desvalorização da profissão docente.

Situação da educação pública em São Paulo: sucateamento e retirada de direitos

A rede pública estadual de São Paulo, em 2025, tinha cerca de cinco mil e quinhentas escolas, distribuídas nos seiscentos e quarenta e cinco municípios, organizadas em noventa e uma diretorias de ensino, contando com 3,5 milhões de alunos e 193 mil professores¹, sendo a maior rede de ensino do Brasil.

Grande parte dessas escolas são espaços escolares que apresentam toda ordem de problemas, como, por exemplo, a falta de climatização em uma época de crise climática. A grande maioria das salas de aula foi construída no período em que não havia a preocupação com a refrigeração dos espaços escolares, tampouco com a arborização. Principalmente nas grandes cidades, os prédios escolares contam com dois, três ou mais andares, com redes de energia elétrica e hidráulica precárias. Muitas sequer têm quadra coberta para a prática das aulas de educação física, dificultando o trabalho dos professores e o desenvolvimento dos estudantes nessas aulas.

Se, por um lado, as condições estruturais das escolas não favorecem o desenvolvimento das potencialidades cognitivas dos estudantes e da boa prática docente na sua plenitude, por outro, a política educacional aplicada pelo governo atual tem sido um verdadeiro terror para professores e funcionários escolares.

Essa combinação do corte dos recursos educacionais com a centralização autoritária através da implantação de mais de vinte plataformas digitais, além da Avaliação de Desempenho e da precarização dos vínculos funcionais, compõe um quadro que atinge tanto os professores precarizados (chamados de categoria O) como os estáveis e efetivos. Outros programas de desmonte educacional, como a privatização de 33 escolas e a autorização para privatizar outras 107 unidades, além da militarização de 100 escolas iniciada em fevereiro de 2026 e da reorganização de outras 100 escolas, apontam a dimensão e o impacto do desmonte da educação pública estadual.

Como consequências desta destruição arrasadora, os professores e funcionários sofrem com a pior desvalorização da profissão em todos os tempos. São Paulo ocupa a 21ª posição em ranking dos salários do magistério, dentre os vinte e seis Estados e o Distrito Federal.

Além do terrível arrocho salarial, a combinação das péssimas condições de trabalho e o assédio moral institucionalizado tem provocado o adoecimento da categoria em níveis alarmantes. Segundo dados publicados pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP (Apeoesp) no mês de maio deste ano, no período de 2019 a 2024, o total absoluto de afastamentos do trabalho por problemas de saúde totalizou 254.602, 28,01%, a maioria motivados por transtornos mentais e comportamentais. Esta situação tem-se agravado com a política sistemática do Departamento de Perícias Médicas – DPME de indeferir as licenças-saúde, o que tem agravado de forma alarmante a situação dos professores. Em várias regiões, como em São Bernardo do Campo, só no período de janeiro a junho deste ano, mais de setenta licenças-saúde foram indeferidas de forma parcial ou total, levando a Subsede da Apeoesp a denunciar e fazer manifestação na clínica de perícias médicas.

Neste cenário de política educacional autoritária, a gestão democrática tem sido sistematicamente atacada. O Estatuto do Magistério, lei estadual conquistada em 1985, na grande ascensão das lutas da categoria contra a ditadura militar, em defesa da democracia, tem sido sistematicamente desfigurado, e mesmo os artigos que estabelecem a instituição dos colegiados e das instituições auxiliares da escola ou são ignorados ou incorporados à vontade das gestões escolares. Desta forma, o autoritarismo, a perseguição aos professores e o clima de terror (salvo raras exceções) estão se convertendo em práticas rotineiras e normalizadas.

Outra dimensão fundamental da educação pública que está sistematicamente sendo destruída é a questão do currículo. Em um flagrante desrespeito à Constituição Federal e à LDB, o currículo foi centralizado nas plataformas digitais, retirando a liberdade de cátedra dos professores e desconsiderando os princípios freirianos da relação dialética em que: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Quando o currículo passa a ser padronizado e uniforme em todas as escolas, ele se converte em um instrumento de alienação, em que a sua reprodução mecânica se converte em instrumento da dominação do oprimido pelo opressor, um meio fértil para a manutenção de governantes autoritários e fascistas.

Nesse contexto, a situação do magistério está cada vez mais dramática com a fragmentação das escolas e vínculos. Em 2025, segundo dados da própria Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc), 44% das escolas estavam no chamado programa de Ensino Integral, onde os professores, independentemente do vínculo, trabalham 40 horas semanais e podem ser desligados a qualquer momento desde que não correspondam ao chamado “perfil” para atuar neste programa. Os pouco mais de 55% restantes integram as escolas regulares ou, como denomina a Seduc, “escolas de tempo parcial”. Nestas escolas, as jornadas variam: integral, 40 horas-aula semanais; básica, 24 horas-aula semanais; inicial, 20 horas-aula semanais; e reduzida (em extinção), 12 horas-aula semanais. Com relação aos vínculos, os professores são classificados por letras: Categoria A (efetivos, Lei nº 836/1997; efetivos, Lei Complementar nº 1.374/2022). Aqui, uma observação importante: os efetivos de 1997 recebem vencimentos e estão submetidos a um plano de carreira, enquanto os efetivos de 2022 recebem subsídios e a carreira é por “trilhas”, sendo praticamente impossível evoluir na carreira. Outro segmento é formado pelos estáveis de 1997, chamados de Categoria F, que têm praticamente os mesmos direitos dos efetivos, porém é uma categoria em extinção. Por último, os categoria O, contratados por tempo determinado e com extrema precarização, são totalmente vulneráveis, conforme a própria Lei Complementar nº 1.093/2009, “por conveniência da administração”. Estes professores são obrigados anualmente a fazer uma prova, o chamado PSS, para continuarem atuando na rede.

Esta relação de precariedade extrema de todas as formas de vínculo alcançou uma situação de catástrofe intolerável com a adoção, por parte da Seduc, da chamada “Avaliação de Desempenho”. É um processo que utiliza cinco variáveis avaliativas, com pesos flexíveis e ponderados a critério da administração, a qual, além de punir, submete os professores a situações vexatórias e humilhantes, constituindo uma situação de “terror” nos espaços escolares, onde reina o clima da desconfiança e do desespero, tendo em vista que esta avaliação define a extinção contratual dos professores categoria O e se os efetivos e estáveis continuarão atuando ou não na mesma escola onde já trabalham há muitos anos.

Diante dessa situação, a categoria do magistério luta e resiste

Para enfrentar esse gigantesco desmonte da educação estadual, a categoria empreendeu inúmeras lutas através de manifestações, assembleias, passeatas e atos públicos em praticamente todas as frentes. As campanhas salariais e de denúncia conseguiram algumas vitórias parciais que evitaram o aprofundamento ainda maior do desmonte e da destruição dos direitos, tendo em vista que o programa máximo do fascismo de extrema direita era muito mais amplo e profundo. O governo se viu obrigado a descongelar os benefícios que haviam sido retirados por Bolsonaro na época da pandemia, luta que contou com a ação decisiva da deputada federal Sâmia Bomfim e da deputada estadual Mônica Seixas. Foram graças às lutas que os principais programas de Tarcísio e Feder, como privatização e militarização, foram mitigados. A denúncia e as lutas contra as demissões e as precarizações configuram outra frente de combate sistemático. Por outro lado, enfrentamentos contra a extrema direita têm sido comuns tanto na rua como nas Câmaras Municipais, na ALESP e no Congresso Nacional. Estamos vivendo em um processo avançado do extrapolamento dos embates dos ambientes institucionais para ruas e praças, o que exige mais organização e maior participação para enfrentar e derrotar a extrema direita nas lutas e no parlamento. Nesse contexto, nossas parlamentares são imprescindíveis.

Defender uma educação de esquerda, radical e socialista

A luta dos profissionais de educação não deve estar apenas vinculada à conquista de pequenos avanços nas reivindicações por melhorias na profissão, que são importantes, porém são insuficientes para o avanço da profissão docente, da escola pública e da educação.

Nesse sentido, um programa que vincule as conquistas imediatas com um projeto de educação pública voltado para a plena emancipação dos filhos e filhas da classe trabalhadora é o caminho fundamental e necessário para engajar corações e mentes na busca pela emancipação plena da juventude.

  • Em defesa da educação pública, gratuita, laica e para todos.
  • Escolas com condições estruturais e climatizadas adequadamente, cujos espaços escolares sejam plenamente adequados à prática educativa.
  • Compatibilidade do número de alunos por turmas: 25 alunos no Fund I e II, e 30 no Ensino Médio.
  • Gestão democrática com colegiados e instituições auxiliares das escolas aprovadas através de eleições livres e diretas, organizadas pelos próprios segmentos escolares.
  • Fim da plataformização; a utilização de meios eletrônicos no trabalho docente deve ser adotada pelos próprios professores sem pressão ou assédio moral.
  • Revogação do projeto da militarização das escolas.
  • Revogação da privatização das 33 escolas.
  • Plano de carreira aprovado pelos profissionais de educação através das suas entidades.
  • Pagamento do PISO do DIEESE como salário-base; é inadmissível o Estado de São Paulo pagar um dos piores salários aos professores dentre a maioria das Unidades Federativas.
  • Jornadas de trabalho em que o tempo destinado à pesquisa e preparação de aula seja sempre igual ou superior ao tempo de ministrar aula.
  • Convocação imediata de todos os aprovados no último concurso público.
  • Luta pela aprovação do uso gratuito das escolas públicas pelos cursinhos populares.
  • Lutar pela aprovação de todas as iniciativas sobre educação ambiental, adaptação climática e climatização das escolas.
  • Defender que todas as pessoas que estudam e trabalham nas escolas tenham direito à merenda escolar.
  • Lutar por um PNE inclusivo e emancipador, assim como pelos Planos Estaduais e Municipais de Educação debatidos e aprovados pelas comunidades escolares, em especial estudantes, professores e demais profissionais da educação.

Defendemos

Enfrentar o desmonte da Rede Municipal de São Paulo realizado por Nunes e Padula

Nos últimos anos, temos assistido a uma verdadeira tentativa de desmonte da Rede Municipal de Ensino de São Paulo por parte das últimas gestões, num processo que tem se acelerado sob o comando de Ricardo Nunes e Fernando Padula. Seu carro-chefe é o projeto de privatização da rede municipal, que já está colocado na maior parte dos CEIs, nos serviços de limpeza, segurança, merenda, estágios e auxiliares de vida escolar AVEs), além da política de vouchers da educação, como, por exemplo, na compra do uniforme escolar, e os contratos com as plataformas de ensino. Todos esses contratos têm garantido repasses milionários da Prefeitura para empresas privadas, algumas das quais envolvidas inclusive em escândalos de corrupção, como foi desvendado na investigação da máfia das creches. Além disso, muitas dessas empresas mantêm seus trabalhadores em condições precárias e oferecem piores serviços à população, como ficou nítido no trágico falecimento do bebê Abdoulaye Dieng, em um CEI administrado pela iniciativa privada, após prender a cabeça em uma barra de ferro em uma sala de aula.

No entanto, apesar desses acontecimentos gravíssimos, Ricardo Nunes e Fernando Padula buscam ampliar o programa de privatizações, repassando agora três escolas municipais que serão construídas (num processo que foi questionado pela Justiça), além da defesa aberta da privatização das gestões escolares, já tendo realizado este processo em três EMEFs inauguradas em 2025. A justificativa, sem apresentação de dados consistentes, é sempre a mesma: de que as escolas privadas teriam índices de ensino superiores aos das públicas, argumento que, além de falacioso, desconsidera a multiplicidade de perfis e realidades da cidade de São Paulo e tenta colocar nas costas dos profissionais de educação resultados que são responsabilidade da péssima gestão e do subfinanciamento da educação garantidos pela Prefeitura. Em síntese, de acordo com a atual gestão, a educação deve ser entendida enquanto um negócio, e não um direito.

Em consonância com isso, as políticas municipais de educação têm ampliado a plataformização, na tentativa de estabelecer um controle maior da atividade docente e apagar as diferenças entre estudantes e comunidades escolares, além de impor metas cada vez mais abusivas e competitivas aos educadores e estudantes, punindo as escolas que não atingem as metas e até mesmo os educadores que adoecem, como na retirada da opção da Jornada Especial Integral de Formação (JEIF) para os readaptados. Somam-se também a conivência com os ataques promovidos pela extrema direita à educação, como no caso do racismo religioso da EMEI Antonio Bento, e os ataques à gestão democrática, como na tentativa de afastamento de 25 diretores para a nomeação de interventores.

Como consequência, pesquisas apontam que a cidade de São Paulo tem uma média de 95 afastamentos de professores por dia por questões de saúde. A combinação de salas superlotadas, falta de estrutura para garantir a inclusão, metas inatingíveis, arrocho salarial, assédio moral e ataques ao plano de carreira e ao direito de lotação tem piorado dia a dia a vida dos trabalhadores da educação. Diante disso, numa categoria majoritariamente feminina, é urgente desnaturalizar a sobrecarga de trabalho e encampar uma grande campanha nacional por condições dignas de trabalho, estrutura adequada para garantir a educação na perspectiva inclusiva e redução de alunos por sala de aula.

Por isso, nosso mandato esteve lado a lado de todas as lutas dos mais de 100 mil profissionais de educação do município de São Paulo, que neste ano construíram uma grande greve por condições de trabalho e contra o PL 354/2026, que abre caminho para a privatização total da educação infantil, amplia o número de contratos temporários e cria condições precárias e arbitrárias para os futuros concursos. Também estivemos na linha de frente na luta pela convocação dos mais de 1.000 aprovados nos concursos Professor de Educação Infantil (PEI) e Assistente Técnico de Educação (ATE), chamados no mês de junho. Da mesma maneira, realizamos uma grande luta no Congresso Nacional e conseguimos aprovar o Descongela, e agora estamos encampando a luta pelo pagamento dos valores retroativos.

  • Redução do número de alunos por sala de aula: 25 alunos para as EMEFs (todos os anos) e 15 crianças para as EMEIs.
  • Revogação imediata do Sampaprev: aposentadoria digna é um direito.
  • Não ao confisco de 14% dos aposentados.
  • Subsídio não! Pela valorização da carreira dos servidores da educação.
  • Chega de arrocho salarial: queremos valorização e recuperação das perdas acumuladas dos últimos anos.
  • Fim dos convênios com as creches privadas: pela municipalização de todo o ensino infantil público, com a realização de concursos públicos.
  • Pela incorporação dos abonos complementares no salário.
  • JEIF para todos que optarem por ela: professores contratados e ingressantes também têm direito à formação pedagógica.
  • Abaixo à Lei nº 18.221/2024, que ataca a JEIF dos readaptados e o direito de lotação dos gestores.
  • Reestatização dos serviços de limpeza, merenda e segurança nas escolas e creches municipais: incorporação ao serviço público dos trabalhadores que já exercem essas funções.
  • Estatização dos serviços de AVEs e estagiários de toda a rede municipal, com a realização de concursos públicos.
  • Por 31% da arrecadação municipal de impostos gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino.
  • Regulamentação, pela SME, da formação antirracista de 8 horas para todos os profissionais de educação (não somente os que possuem JEIF).
  • Ensino de história e cultura africana e indígena no ensino básico, acompanhando a aplicação da Lei nº 11.645/2008.
  • Inclusão de disciplinas obrigatórias para discussão da temática étnico-racial na grade curricular dos cursos de licenciatura.
  • Nenhum retrocesso no currículo antirracista da Cidade de São Paulo.
  • Pelo direito à remoção para profissionais no período probatório.
  • Não à transformação do cargo PEI em PEIF.
  • Abaixo às metas abusivas da Prova São Paulo e das avaliações externas.
  • Que os valores do PDE sejam incorporados ao salário: chega de competição entre trabalhadores da educação.
  • Abertura de novos concursos para todas as áreas, incluindo gestão, sem mecanismos de precarização do trabalho e filtro ideológico como os aprovados na Lei Municipal nº 18.463/2026.
  • Não à punição a quem adoece: devolvam a JEIF dos readaptados.
  • Abaixo a qualquer ataque ao direito de lotação, sejam de gestores, docentes ou quadro de apoio.
  • Retorno do número máximo de trabalhadores contratados para 5%, como era antes da pandemia.
  • Pela redução de jornada sem redução de salário aos ATEs: J30 já!
  • Pela ampliação do módulo de ATEs: chega de sobrecarga e limitação do uso dos espaços comuns das escolas.
  • Não aos cortes e atrasos dos repasses do Programa de Transferência de Recursos Financeiros (PTRF).
  • Pela volta dos valores destinados à contratação de ônibus para as saídas pedagógicas: conhecer equipamentos urbanos é um direito.
  • Abaixo aos ataques ao transporte escolar: TEG é direito!
  • Queremos estrutura para garantir a inclusão!
  • Não à plataformização do ensino!
  • Não à entrega das novas EMEFs à iniciativa privada: pela municipalização do Liceu e de todas as EMEFs indiretas, com realização de concursos públicos.
  • Não ao fechamento de escolas.
  • Abaixo o ataque à EJA: Educação de Jovens e Adultos é direito.
  • Descongela já tudo: queremos o descongelamento retroativo dos direitos roubados durante a pandemia.
  • Pela garantia de conforto climático nas escolas: apoio à instalação de ar-condicionado nas salas de aula, ampliação da arborização nos ambientes escolares, pintura com cores claras e instalação de tetos verdes nas escolas.
  • Pela garantia à gestão democrática: respeito e fortalecimento dos conselhos de escola.
  • Contratação urgente de um servidor do SGP que não trave no fim dos bimestres: chega de humilhação, conselho de classe digno é um direito dos trabalhadores em educação e dos estudantes.

Defendemos

Defender o direito à educação para quem estuda em São Paulo

A crise na educação não acontece isolada do mundo; ao contrário, é um reflexo profundo da crise neoliberal que avança a passos largos no Estado de São Paulo. Escolas são usadas como moeda de troca e oportunidade de negócios, com suas infraestruturas cada vez mais comprometidas, enquanto os professores se encontram em situações cada vez piores, dentro e fora da sala de aula.

Nas escolas estaduais e até até nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) – que sempre foram usadas como o grande exemplo da educação no Estado –, a precarização do ensino atinge seu ápice e coloca em xeque a perspectiva de futuro dos estudantes secundaristas. A chamada “Sala do Futuro”, projeto do governador Tarcísio que implementa cada vez mais atividades virtuais – e feitas por inteligência artificial, sem participação real de educadores –, é, na verdade, um dos maiores retrocessos que tivemos recentemente, sendo o símbolo máximo da desvalorização dos professores. Enquanto a iniciativa privada rifa nossas escolas, os estudantes sentem na pele a corrosão de suas oportunidades de vida, transformando o ambiente escolar em uma completa obrigação. Mesmo os grêmios estudantis, espaços que deveriam ser autogeridos e servir à organização independente dos estudantes, tornam-se extensões das gestões escolares, que, por sua vez, estão cada vez mais conectadas à linha de Tarcísio.

Acreditamos em outra educação. Em uma educação que traga a emancipação da juventude periférica, da juventude negra, da juventude LGBTQIA+ e das meninas, uma educação que vá na contramão do neoliberalismo e forme estudantes para que sejam críticos e independentes, e não somente mão de obra em empregos precarizados. Um novo projeto de educação é possível e, para que seja construído, é necessário que iniciemos desde a base, dialogando com professores e estudantes para construirmos juntos. Nosso mandato sempre esteve presente em todas as lutas de professores e estudantes, e assim seguiremos, para que as escolas deixem de ser sinônimo de cansaço e obrigação e passem a significar esperança de novo.

  • Passe livre para todos os estudantes.
  • Por profissionais de psicologia e serviço social nas escolas, em cumprimento à Lei nº 13.935/2019, garantindo o bem-estar de todos os estudantes, com rodas de conversa frequentes e apoio aos estudantes mais vulneráveis.
  • Debates e discussões mais frequentes acerca de gênero e sexualidade nas escolas, para o autoconhecimento dos estudantes, mas também combatendo a discriminação, o machismo, o assédio sexual e a LGBTQIA+fobia.
  • Atividades específicas de combate à discriminação no Mês do Orgulho LGBTQIA+.
  • Incentivo à criação de coletivos LGBTQIA+ nas escolas, com supervisão de um professor, para suporte dos alunos que se sentem deslocados.
  • Por grêmios livres e independentes, que tenham autonomia para projetos pedagógicos e culturais nas escolas.

O que Sâmia fez

  • Atuou em defesa de professores contra escolas cívico-militares.
  • Questionou o uso de inteligência artificial em escolas estaduais de São Paulo.
  • Realizou audiência pública sobre educação de crianças e adolescentes quilombolas e indígenas.
  • Participou de atos públicos contra o afastamento de diretores de escolas municipais pela gestão do prefeito Ricardo Nunes em São Paulo e classificou a medida como uma intervenção política e uma retaliação contra escolas que participaram de greves de servidores.

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