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Programa Político

Povos Indígenas

Defesa dos povos indígenas

A história dos povos indígenas no Brasil é marcada pela resistência contra séculos de violência, expropriação e tentativas de apagamento promovidas pelo processo colonial e pelos diferentes projetos de ocupação e exploração do território.

Sobreviveram ao genocídio colonial, às expedições bandeirantes, às políticas assimilacionistas do Império e da República, aos projetos expansionistas do século XX e aos massacres promovidos durante a ditadura militar. Ainda hoje, seguem enfrentando ataques contra seus territórios e modos de vida diante do avanço do agronegócio, da especulação imobiliária, do garimpo ilegal, da mineração, do desmatamento e de grandes projetos de infraestrutura que desrespeitam seus direitos e ameaçam o meio ambiente.

O governo Bolsonaro afirmou-se como um inimigo declarado dos povos indígenas. Durante quatro anos, promoveu o desmonte da política indigenista, paralisou demarcações, enfraqueceu a FUNAI, estimulou o garimpo ilegal e tentou abrir os territórios indígenas à exploração econômica, impondo aos povos originários um período de fortes ataques e resistência.

A eleição de Lula, em 2022, representou uma mudança importante desse cenário, com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, a retomada das demarcações e a reconstrução dos canais de diálogo. No entanto, embora tenham ocorrido avanços institucionais, eles permanecem aquém da urgência da pauta indígena.

O ritmo ainda insuficiente das demarcações e as contradições da política ambiental revelam um governo que, ao mesmo tempo em que se apresenta como defensor do clima, apoia projetos como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e a privatização e dragagem da Bacia do Tapajós, transformando rios amazônicos em corredores logísticos voltados aos interesses do agronegócio e da exportação de commodities.

A proteção dos povos indígenas exige romper com esse modelo de desenvolvimento e colocar a demarcação das Terras Indígenas no centro da política ambiental brasileira.

No último período, os povos indígenas protagonizaram algumas das mais importantes mobilizações sociais do país. O Acampamento Terra Livre (ATL) consolidou-se como a maior mobilização indígena nacional, reunindo milhares de indígenas de diferentes povos em Brasília para defender a demarcação das Terras Indígenas, enfrentar o marco temporal e denunciar os ataques aos direitos dos povos originários.

No Pará, a luta em defesa da educação escolar indígena e contra a privatização e dragagem dos rios da Bacia do Tapajós tornou-se referência nacional de resistência. Sâmia esteve presente nessa mobilização, em Santarém, ao lado de Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Mônica Seixas (PSOL-SP) e da vereadora de Belém Vivi Reis (PSOL-PA). No Congresso Nacional, Sâmia e Fernanda apresentaram projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos da medida presidencial, articulando a luta institucional com a mobilização popular.

Em São Paulo, a solidariedade também se expressou na mobilização organizada pelo povo Guarani Mbya em frente ao escritório da Cargill, na Faria Lima, em apoio aos povos indígenas do Norte do país. A suspensão do projeto pelo governo federal foi uma lição do movimento indígena a todos os lutadores e movimentos sociais do país: a luta é o método para se arrancar conquistas.

Nosso programa político em defesa dos povos indígenas reafirma compromissos construídos desde o mandato de Sâmia como vereadora da cidade de São Paulo. No estado, reafirmamos nosso compromisso em defesa da Terra Indígena Jaraguá, território Guarani Mbya historicamente pressionado pela expansão urbana, pela especulação imobiliária e pela ausência de políticas públicas. Sua demarcação, conquistada em 2025 após décadas de luta, representa uma vitória histórica e reafirma a importância da defesa dos territórios originários.

O mandato seguirá colocando-se à disposição dos povos indígenas do Jaraguá e de todas as comunidades indígenas de São Paulo, em contexto urbano ou em seus territórios tradicionais, como instrumento de apoio às suas lutas e resistências.

No plano nacional, reafirmamos nosso compromisso total e inegociável com a luta dos povos indígenas, colocando o mandato à disposição do movimento indígena como instrumento de luta na defesa da demarcação das Terras Indígenas, da integridade de seus territórios, da valorização de suas culturas e espiritualidades, da proteção de suas lideranças, do combate ao racismo e da defesa de um modelo de desenvolvimento que tenha como fundamento o respeito aos povos originários, aos seus territórios e aos seus modos de vida.

Defendemos

  • Lutar contra a tese do marco temporal, pela rejeição da PEC 48/2023 e de quaisquer medidas que restrinjam os direitos territoriais indígenas, defendendo o reconhecimento dos direitos originários dos povos indígenas sobre suas terras tradicionalmente ocupadas.
  • DEMARCAÇÃO JÁ! Defesa e pressão pela demarcação e proteção dos territórios indígenas, reconhecendo o território como condição para a preservação dos povos, suas culturas e seus modos de vida.
  • Enfrentar os projetos de lei que permitem atividades econômicas em terras indígenas, de interesse do agronegócio, da mineração e de outros atores econômicos, em afronta ao usufruto exclusivo assegurado pela Constituição Federal.
  • Pressionar pelo combate às invasões e aos crimes ambientais nos territórios indígenas, como o garimpo, a exploração de madeira, a grilagem de terras, a mineração e demais atividades criminosas, com proteção às comunidades e lideranças ameaçadas.
  • Defender a autonomia dos povos indígenas e a garantia do direito à consulta prévia, livre e informada, conforme a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre obras, empreendimentos e políticas que afetem seus territórios.
  • Fortalecer institucional e orçamentariamente a FUNAI e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), garantindo recursos e capacidade institucional para a proteção dos direitos indígenas.
  • Fortalecer a SESAI e o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, ampliando o atendimento em áreas remotas, valorizando as práticas tradicionais de cuidado e garantindo atenção diferenciada aos povos indígenas.
  • Defender a educação escolar indígena intercultural e bilíngue, com valorização dos professores, das línguas originárias e dos conhecimentos tradicionais.
  • Valorizar e proteger a cultura, as línguas, os conhecimentos e as técnicas tradicionais e as espiritualidades indígenas, garantindo recursos públicos para fortalecer as aldeias e as iniciativas dos povos indígenas.
  • Combater o racismo, a discriminação e a violência contra povos e lideranças indígenas, exigindo investigação, responsabilização e proteção às comunidades ameaçadas.
  • Proteger os povos indígenas isolados e de recente contato, com defesa da política de não contato e da integridade de seus territórios.
  • Defender a justiça climática e o papel dos povos indígenas na proteção dos biomas, valorizando seus conhecimentos e sua participação nas políticas ambientais.

O que Sâmia fez

  • Realizou audiência pública sobre educação de crianças e adolescentes quilombolas e indígenas.
  • Apresentou projeto que proíbe homenagem a escravocratas, higienistas ou genocidas em ruas, prédios e monumentos, propondo a substituição desses nomes por nomes de eventos ou personalidades históricas cuja ocorrência ou vida tenha sido notabilizada pela defesa de direitos individuais, coletivos ou difusos de pessoas negras ou indígenas.
  • PL 627/2023: Proíbe homenagem a escravocratas, higienistas ou genocidas no Sistema Nacional de Viação – SNV, em obras de arte, nomeação de Prédios Públicos da Administração Federal e nos Monumentos Nacionais em todo território nacional e altera a Lei nº 6.682/1979 para substituir homenagens a escravocratas, higienistas e genocidas por nomes de eventos ou personalidades históricas cuja ocorrência ou vida tenha sido notabilizada pela defesa de direitos individuais, coletivos ou difusos de pessoas negras ou indígenas.
  • Sâmia atuou na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente ao denunciar e se posicionar contra a aprovação do marco temporal que visava destruir a política de demarcação de terras indígenas.
  • Atuou contra a inclusão de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização (Decreto nº 12.600/2025). Além de apresentar Projeto de Decreto Legislativo para sustar a privatização e dragagem dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, também integrou a comitiva de parlamentares que se uniu a protestos e ocupações de povos originários do Baixo Tapajós contra os impactos socioambientais da dragagem comercial, prestando apoio na luta dos povos indígenas em Santarém (PA).

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