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Programa Político

Pessoas com Deficiência

Direitos das pessoas com deficiência

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, há 18,6 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o que representa 8,9% da população. Essas pessoas enfrentam cotidianamente o capacitismo, uma lógica que considera esses corpos menos capazes e afasta esses sujeitos dos espaços de decisão da sociedade.

As desigualdades tornam-se ainda mais evidentes quando observadas sob a perspectiva de gênero, raça e território. As mulheres representam 10% da população com deficiência, enquanto os homens correspondem a 7,7%. Quando analisamos a distribuição por cor ou raça, a maior incidência está entre pessoas negras, com 9,5%, seguidas pelas pessoas pardas, com 8,9%, e pelas pessoas brancas, com 8,7%.

As diferenças regionais também expressam essas desigualdades. O Nordeste concentra o maior percentual de pessoas com deficiência do país, correspondendo a 10,3% de sua população, cerca de 5,8 milhões de pessoas. Nas demais regiões, os índices são semelhantes: Sudeste, 8,2%; Norte, 8,4%; Centro-Oeste, 8,6%; e Sul, 8,8%. O menor percentual é registrado no estado do Amazonas, com 6,3%.

Essas desigualdades evidenciam que as barreiras interseccionais de gênero, raça e região se somam, criando uma dupla ou tripla vulnerabilidade, para além da dificuldade de acesso a oportunidades. Pensar políticas para pessoas com deficiência exige compreender essa realidade de forma interseccional.

A pesquisa também apresenta dados relevantes sobre educação, mercado de trabalho e desigualdade salarial entre pessoas com deficiência e sem deficiência. Esse cenário mostra a necessidade de articular diferentes áreas para ampliar o acesso dessa população às políticas sociais.

O quadro se agrava com o avanço da extrema direita e do fomento a políticas neoliberais. Essa população tem sido cada vez mais desvalorizada, principalmente porque, na Câmara dos Deputados, parlamentares desse campo político se colocam como defensores da pauta, fragmentando o movimento de pessoas com deficiência.

Um dos exemplos desse processo é o crescimento da chamada indústria do autismo. O debate sobre o autismo precisa ser realizado com responsabilidade, reconhecendo a importância da luta das pessoas autistas, mas também enfrentando os interesses econômicos e políticos que transformam diagnósticos e tratamentos em mercadorias.

A defesa dos direitos das pessoas com deficiência não pode depender da boa vontade de instituições privadas ou da lógica do mercado. Deve constituir um compromisso permanente do poder público.

Nesse sentido, nosso mandato entende que é preciso fortalecer a articulação do movimento, fomentando o diálogo sobre a deficiência de maneira crítica e valorizando as lideranças que realizam um debate sério sobre essa pauta.

Defender os direitos das pessoas com deficiência é defender uma sociedade em que todas as pessoas possam participar plenamente da vida política, econômica, social e cultural. Isso significa enfrentar o capacitismo, combater todas as formas de discriminação e garantir que as políticas públicas sejam construídas a partir da participação das próprias pessoas com deficiência.

Nosso compromisso é fortalecer o SUS, a educação pública, a assistência social, a cultura e as políticas de inclusão, compreendendo que a deficiência não pode ser tratada como exceção nem as pessoas com deficiência podem ser escanteadas socialmente. O Estado deve assumir sua responsabilidade na garantia desses direitos, assegurando financiamento adequado, participação social e políticas públicas universais que enfrentem as desigualdades produzidas pelo capacitismo, pelo racismo, pela LGBTfobia, pelo machismo e pela desigualdade social, que é interseccional.

Seguiremos construindo um mandato ao lado do movimento das pessoas com deficiência, defendendo o princípio de que nenhuma política deve ser formulada sem a participação daqueles que vivem essa realidade. É somente fortalecendo a organização coletiva e ampliando o acesso democrático que poderemos construir um país verdadeiramente acessível e comprometido com a autonomia das pessoas.

Defendemos

Direitos e participação social

  • Incluir o termo capacitismo na Constituição Federal e na legislação brasileira, fortalecendo instrumentos de prevenção, fiscalização, responsabilização e combate às práticas discriminatórias contra pessoas com deficiência.
  • Ampliar campanhas nacionais de combate ao capacitismo e de divulgação dos direitos das pessoas com deficiência.
  • Regulamentar a avaliação biopsicossocial da deficiência, garantindo um modelo baseado nas barreiras sociais, ambientais e atitudinais, assegurando critérios unificados para acesso às políticas públicas e superando a lógica exclusivamente centrada no diagnóstico médico.
  • Fortalecer o papel do Estado na garantia dos direitos das pessoas com deficiência, ampliando o investimento nas políticas públicas e combatendo processos de terceirização, segregação e privatização dos serviços públicos.
  • Democratizar os espaços de participação social, pressionando para que o governo federal garanta o princípio “Nada sobre nós sem nós”, fortalecendo a representação das próprias pessoas com deficiência e de suas organizações na formulação, implementação e fiscalização das políticas públicas.
  • Criar mecanismos permanentes de fiscalização do cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), da Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência e das demais legislações voltadas aos direitos das pessoas com deficiência, incluindo a contratação de mais auditores fiscais do trabalho.

Educação

  • Ampliar os recursos destinados às políticas de inclusão escolar, fortalecendo a articulação entre saúde, educação e assistência social para garantir permanência, aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes com deficiência.
  • Garantir professores de apoio e demais profissionais especializados sempre que necessário, assegurando condições efetivas de inclusão nas instituições de ensino.
  • Ampliar a formação inicial e continuada dos profissionais da educação, incluindo Libras, comunicação acessível e educação inclusiva, incorporando esse período à jornada de trabalho.
  • Destinar recursos para adaptação arquitetônica, tecnológica e comunicacional das escolas e universidades públicas, garantindo plena acessibilidade por meio de tecnologias assistivas e materiais pedagógicos inclusivos nas instituições públicas de ensino e nas bibliotecas, nos termos da LBI.
  • Revisar os critérios de validade dos laudos exigidos para acesso às políticas educacionais, evitando barreiras burocráticas que dificultam a permanência dos estudantes.

Saúde

  • Fortalecer a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), consolidando o modelo social da deficiência e ampliando a oferta pública de serviços no SUS.
  • Regulamentar e implementar a avaliação biopsicossocial em âmbito nacional.
  • Garantir atendimento integral, humanizado, territorial e intersetorial às pessoas com deficiência, fortalecendo a articulação entre saúde, assistência social e educação.
  • Ampliar a formação permanente dos profissionais da saúde para o atendimento das pessoas com deficiência, incluindo Libras, comunicação acessível e tecnologias assistivas.
  • Fortalecer a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) no SUS, ampliando os Centros Especializados em Reabilitação e os demais serviços públicos.
  • Combater as comunidades terapêuticas e fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), para que situações de crise ou sofrimento psíquico não sejam resolvidas com intervenção policial.

Política Nacional de Cuidados

  • Implementar e fortalecer a Política Nacional de Cuidados, reconhecendo o cuidado como responsabilidade compartilhada entre Estado, sociedade e famílias.
  • Garantir que mulheres com deficiência também sejam reconhecidas como sujeitas do cuidado, assegurando seu direito à maternidade, à autonomia e ao exercício do cuidado.
  • Fortalecer políticas de proteção às cuidadoras e aos cuidadores familiares, garantindo direitos trabalhistas, proteção social e condições para conciliar trabalho e cuidado.
  • Reduzir a jornada de trabalho das pessoas que exercem vínculo indispensável de cuidado com pessoas com deficiência, garantindo proteção ao emprego e à renda.

Trabalho, renda e cultura

  • Fortalecer a Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência, ampliando os mecanismos de fiscalização e responsabilização pelo seu descumprimento.
  • Ampliar políticas de emprego apoiado, garantindo acompanhamento multiprofissional para inclusão e permanência das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
  • Reduzir o número mínimo de empregados exigido para aplicação da Lei de Cotas.
  • Implementar políticas que enfrentem as desigualdades de renda vividas pelas pessoas com deficiência, considerando os custos adicionais decorrentes da deficiência.
  • Ampliar políticas de formação profissional, produção cultural e acesso aos recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) para pessoas com deficiência.

Mulheres

  • Garantir políticas específicas para mulheres com deficiência, enfrentando as múltiplas formas de violência e discriminação.
  • Fortalecer mecanismos de proteção às mulheres que adquiram deficiência em decorrência da violência de gênero.
  • Garantir atendimento acessível nos serviços de saúde, assistência social, segurança pública e justiça.

Acessibilidade e cidades

  • Implementar um Plano Nacional de Acessibilidade para adaptação dos espaços urbanos, equipamentos públicos e sistemas de transporte.
  • Garantir acessibilidade plena nos serviços públicos presenciais e digitais.
  • Modernizar os sistemas de atendimento destinados às pessoas surdas, substituindo tecnologias obsoletas por mecanismos compatíveis com os recursos atualmente utilizados.

O que Sâmia fez

  • Como um avanço para reconhecer que o cuidado não pode ser considerado tarefa exclusiva das mulheres, apresentou e aprovou emenda à Lei nº 15.371/2026, que amplia gradualmente a licença-paternidade de 5 para 20 dias ao longo de cinco anos, para garantir o acréscimo de um terço do tempo da licença para famílias de crianças com deficiência.
  • Realizou audiências públicas sobre capacitismo e os desafios das pessoas com deficiência no serviço público.
  • PL 5352/2019: Veda qualquer discriminação à criança, ao adolescente e ao adulto com deficiência nas instituições públicas ou privadas de qualquer nível e modalidade de ensino.
  • PL 124/2023: Altera o Art. 58 do Decreto-lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943, para dispor sobre a redução da jornada de trabalho de pessoas que possuam vínculo de cuidado indispensável com pessoas com deficiência.
  • PL 1471/2025: Dispõe sobre a criação de espaços ou salas multissensoriais em ambientes de grande circulação e permanência de pessoas, com a finalidade de oferecer acolhimento e suporte adequado a indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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