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Programa Político

Segurança Alimentar e Nutricional

Enfrentar a fome, garantir comida de verdade e reduzir desigualdades

A segurança alimentar e nutricional existe quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm condições reais de acessar alimentos suficientes, seguros e nutritivos para uma vida ativa e saudável, respeitando-se as particularidades regionais e culturais. O direito de se alimentar é assegurado pela Constituição e nunca deve comprometer o acesso a outros direitos. A fome é a expressão mais extrema e grave de sua ausência.

A fome e as demais formas de insegurança alimentar e nutricional não são fenômenos naturais nem resultado de escolhas individuais. Elas são resultado da forma como nossa economia, nossas políticas públicas e nossa sociedade estão organizadas. No Brasil, predomina um modelo de produção, distribuição e abastecimento de alimentos concentrado nas mãos de grandes corporações, que atuam desde a produção de sementes e insumos até a indústria de alimentos e o comércio varejista. De um lado, expandem-se monoculturas voltadas à exportação, com uso intensivo de agrotóxicos e transgênicos, desperdício de água e elevada concentração da terra. De outro, cresce a oferta de produtos ultraprocessados, promovidos por estratégias agressivas de publicidade e amplamente distribuídos nos territórios do país. É justamente por isso que um país pode produzir alimentos em abundância e, ao mesmo tempo, manter milhões de pessoas sem condições de comer adequadamente.

A esses determinantes somam-se crises como pandemias e desastres climáticos. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, comprometeram a produção, a distribuição e o acesso aos alimentos, agravando a insegurança alimentar e nutricional de milhares de famílias.

Lidar com esse desafio exige políticas públicas permanentes e articuladas. Em 2006, foi instituído o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) para integrar diferentes áreas de governo, organizar responsabilidades entre União, estados e municípios e garantir a participação e o controle social nas políticas públicas. Nesse arranjo, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) ocupa papel central, garantindo que a sociedade, e não apenas o governo, participe da construção das políticas públicas.

A partir dessa estrutura institucional, o Brasil passou a organizar suas ações por meio dos Planos Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional (PLANSAN). Os dois primeiros planos (2012–2015 e 2016–2019) consolidaram políticas como o Fome Zero, o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos, o fortalecimento da agricultura familiar e da alimentação escolar, demonstrando que é possível enfrentar a insegurança alimentar quando há decisão política.

Após a ruptura provocada pelo governo Bolsonaro, o governo federal retomou essa agenda com o Plano Brasil Sem Fome e aprovou o III PLANSAN (2025–2027), reconstruindo a coordenação das políticas de segurança alimentar e nutricional entre diferentes áreas do governo.

Em 2004, cerca de 35% das famílias brasileiras viviam algum grau de insegurança alimentar. Esse percentual caiu de forma consistente até 2013, permitindo que o Brasil deixasse o Mapa da Fome em 2014. A partir de 2017 e 2018, porém, essa trajetória foi revertida. A crise econômica e política, o aumento do desemprego, a aprovação do teto de gastos, a redução dos investimentos sociais e o enfraquecimento das políticas de segurança alimentar deterioraram o acesso à alimentação. Em 2019, a extinção do CONSEA pelo governo Bolsonaro simbolizou o desmonte institucional da área. A pandemia de Covid-19 agravou uma situação já crítica e, em 2021 e 2022, o país alcançou os piores níveis de insegurança alimentar da série recente. Em 2022, 30 milhões de pessoas viviam em situação de insegurança alimentar grave e o Brasil havia retornado ao Mapa da Fome.

Com a reconstrução das políticas públicas, a partir de 2023, os indicadores voltaram a melhorar. A proporção de famílias em alguma situação de insegurança alimentar caiu de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024, enquanto a insegurança alimentar grave recuou para 3,2%. Esse avanço levou o país a sair novamente do Mapa da Fome em 2025.

É uma conquista importante, mas não significa que o problema esteja resolvido: aproximadamente uma em cada quatro famílias brasileiras ainda enfrenta algum grau de dificuldade para acessar alimentos. E isso é inaceitável. Além disso, diferentemente do Sistema Único de Saúde (SUS), o SISAN ainda não está presente em todos os municípios brasileiros e necessita de expansão. Como a participação dos municípios é voluntária, milhões de pessoas ainda vivem em cidades que não contam com todas as políticas e instrumentos de segurança alimentar. Essa realidade também permanece profundamente desigual: a insegurança alimentar é sistematicamente mais frequente nos domicílios de baixa renda, chefiados por mulheres, por pessoas pretas ou pardas e povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas. O problema também é mais grave nas regiões Norte e Nordeste, nas áreas rurais, nas periferias urbanas e entre trabalhadores submetidos à informalidade e à precarização.

A melhoria recente dos indicadores também não elimina outro grande desafio da segurança alimentar e nutricional: a qualidade da alimentação. O consumo de produtos ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e macarrão instantâneo, com preços cada vez mais baixos, continua crescendo no país, inclusive entre crianças, e está associado ao aumento da obesidade e de outras doenças crônicas, que são a maior causa de morte no Brasil.

A superação da insegurança alimentar e nutricional exige combinar políticas de proteção social – como renda, emprego, moradia, água e serviços públicos – com medidas que transformem os sistemas alimentares. Isso envolve fortalecer a agricultura familiar e a agroecologia, democratizar o acesso à terra, ampliar o abastecimento popular, proteger a alimentação escolar, criar regras para a comercialização e a publicidade de produtos ultraprocessados e tornar os alimentos saudáveis mais acessíveis. Para Sâmia, enfrentar a insegurança alimentar e nutricional em todas as suas formas exige recolocar o direito humano à alimentação adequada no centro das políticas públicas e enfrentar os interesses econômicos que produzem desigualdades.

Defendemos

Como deputada federal, Sâmia defenderá a aprovação e o aperfeiçoamento de leis, a garantia de recursos públicos, a fiscalização das políticas públicas e a articulação com estados, municípios e sociedade civil para fortalecer a segurança alimentar e nutricional no Brasil. Sua atuação será orientada pelos seguintes compromissos:

  • Defender o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) como estratégia do Estado brasileiro para garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada.
  • Garantir recursos financeiros para o SISAN, fortalecendo a coordenação entre o governo federal, estados e municípios e a participação da sociedade civil.
  • Fortalecer as estratégias de combate à fome por meio de políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada, além de políticas de saúde, educação, moradia, saneamento, assistência social e geração de emprego.
  • Garantir acesso regular e permanente à água para consumo, higiene e produção de alimentos.
  • Fortalecer a agricultura familiar, a reforma agrária e a regularização dos territórios indígenas, quilombolas e tradicionais, ampliando o acesso à terra, ao crédito e à assistência técnica e extensão rural, e apoiar marcos regulatórios que reconheçam as especificidades da produção de pequena escala e dos modos tradicionais de produção de alimentos, conciliando segurança sanitária e valorização desses sistemas produtivos.
  • Promover a transição agroecológica, apoiando agricultores na adoção de sistemas alimentares e produtivos mais sustentáveis, reduzir progressivamente o uso de agrotóxicos e valorizar sementes crioulas e a sociobiodiversidade.
  • Fortalecer o abastecimento alimentar, ampliando o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra alimentos da agricultura familiar para abastecer políticas públicas, além dos estoques públicos, das feiras livres, dos mercados públicos, dos bancos de alimentos, das cozinhas solidárias e dos restaurantes populares.
  • Preparar o país para enfrentar os impactos das mudanças climáticas sobre a produção, o abastecimento e o acesso aos alimentos.
  • Ampliar ações de combate à desnutrição e à obesidade por meio do acesso a alimentos de qualidade.
  • Fortalecer o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo orçamento adequado, valorização da agricultura familiar e refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.
  • Regulamentar os ambientes alimentares escolares e restringir a oferta, a venda e a publicidade de produtos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas, em particular nas cantinas.
  • Regular a publicidade e outras estratégias de marketing de produtos ultraprocessados, especialmente aquelas dirigidas a crianças e adolescentes.
  • Apoiar a implementação da reforma tributária que favoreça menores preços para alimentos saudáveis, defendendo a tributação de refrigerantes e outras bebidas açucaradas.
  • Proteger, promover e apoiar a amamentação.
  • Fortalecer ações de educação alimentar e nutricional nas escolas, nos serviços de saúde e na assistência social, valorizando as culturas alimentares brasileiras e promovendo escolhas alimentares saudáveis ao longo da vida.
  • Incorporar a promoção da equidade nas políticas de segurança alimentar e nutricional, priorizando mulheres, povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais, população em situação de rua e demais grupos em situação de maior vulnerabilidade.

O que Sâmia fez

Desde seu mandato como vereadora em São Paulo, Sâmia atuou em defesa do Direito Humano à Alimentação Adequada.

Na Câmara Municipal de São Paulo

  • Integrou a Frente Parlamentar de Segurança Alimentar, fortalecendo o debate e a articulação de políticas públicas para garantir o direito à alimentação.
  • Encaminhou representação à Defensoria Pública de São Paulo contra as ilegalidades do Programa Alimento para Todos e da Política Municipal de Erradicação da Fome e de Promoção da Função Social dos Alimentos, que viabilizavam a distribuição da farinata ("ração humana"), proposta pela gestão João Doria. O programa previa o fornecimento do produto para a alimentação escolar, além da população em situação de rua e da população privada de liberdade.
  • Atuou na defesa do Sacolão de Pinheiros, mediando o diálogo entre permissionários e a Prefeitura para evitar seu fechamento e preservar um importante equipamento público de abastecimento alimentar.

Na Câmara dos Deputados

  • Compõe a Frente Parlamentar Mista de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e de Combate à Fome no Brasil.
  • Promoveu audiência pública para discutir políticas de incentivo à amamentação no ambiente escolar, reconhecendo-a como parte do Direito Humano à Alimentação Adequada na primeira infância.
  • Apoiou a reativação do CONSEA, extinto pelo governo Bolsonaro.
  • É coautora do PLP 48/2025, que reúne medidas para combater a fome, enfrentar a alta dos preços dos alimentos, fortalecer a agricultura familiar, aprimorar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ampliar a proteção social.
  • É coautora de projeto de lei para impedir cortes orçamentários que comprometam políticas públicas executadas pelos ministérios responsáveis pelo combate à fome, pela agricultura familiar e pelo desenvolvimento social.
  • Fiscalizou a política nacional de agrotóxicos, como no RIC 188/2019, que solicitou informações ao Ministério da Agricultura sobre o acelerado processo de liberação de novos agrotóxicos.
  • Apoiou a mobilização do primeiro Banquetaço, realizado em São Paulo em 2018, e, em 2019, apoiou a realização do Banquetaço em Brasília.
  • Apresentou, em 2020, o PL 3.170/2020, que cria o Plano Emergencial de Amparo à Agricultura Familiar e assegura como serviço essencial a produção e a distribuição de alimentos oriundos da agricultura familiar.
  • Questionou, em 2020, o Ministério da Agricultura sobre a nota técnica encaminhada ao Ministério da Saúde que defendia a inclusão de alimentos ultraprocessados no Guia Alimentar para a População Brasileira.

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