A universidade pública brasileira é hoje um dos principais campos de disputa entre dois projetos de país. De um lado, o projeto fascista que sufoca orçamentos, congela concursos, sucateia laboratórios e empurra estudantes pobres, negros, indígenas e LGBTQIAPN+ para fora dos campi. De outro, o projeto popular que entende a universidade como direito, como ferramenta de transformação social e como espaço de produção de ciência a serviço do povo.
O governo Lula foi eleito com a promessa de valorizar a ciência brasileira e retomar o financiamento das universidades públicas, depois dos anos de sucateamento deliberado sob Bolsonaro, que tentou privatizar e precarizar o ensino superior público para acabar com ele aos poucos. Houve avanço em relação a isso. Mas o governo se mostrou limitado diante da disposição de romper com a estrutura fiscal que herdou. Em 2024, o Ministério da Educação sofreu um contingenciamento de quase 2 bilhões de reais, evidenciando os limites de um modelo que subordina direitos sociais à austeridade fiscal. As universidades federais convivem com reitorias esvaziadas de recursos, Restaurantes Universitários fechados e moradias estudantis interditadas.
A juventude negra, periférica, indígena, quilombola, trans e trabalhadora que hoje ocupa as universidades por meio das cotas segue enfrentando racismo institucional, evasão por falta de condições materiais de permanência e sub-representação nos espaços de decisão. Democratizar o acesso sem democratizar a permanência e o poder dentro da universidade é insuficiente. É necessária uma mudança substantiva na própria estrutura da universidade: em quem dirige, em quem decide, em que conhecimento é reconhecido como ciência.
Partimos de um princípio simples: educação não é mercadoria, é um direito. As universidades não devem ser financiadas com dívida estudantil, mas sim com taxação de grandes fortunas e o fim do Arcabouço Fiscal. Não existe razão para o Brasil escolher entre pagar juros a rentistas e manter um Restaurante Universitário aberto. Essa escolha é política, não é uma fatalidade econômica.
A ciência não deve estar a serviço dos bilionários. Hoje, boa parte da pesquisa pública é pressionada a se justificar pelo retorno que dá ao mercado, pela patente que gera, pelo contrato que atrai. Defendemos o oposto: ciência pensada a partir das necessidades do povo brasileiro, da produção de remédios, de tecnologias agrícolas populares, de soluções para a crise climática, de conhecimento sobre o próprio país. Não é sobre pedir mais eficiência dentro do orçamento que a austeridade permite, é sobre romper esse orçamento. É esse o horizonte das propostas a seguir.
Defendemos
Financiamento e fim da austeridade
- Revogação do Arcabouço Fiscal e desvinculação da educação de qualquer regra de ajuste fiscal.
- Cumprimento e ampliação da meta de 10% do PIB para a educação pública, com cronograma vinculante de execução.
- Fim do contingenciamento orçamentário do Ministério da Educação e das universidades federais.
- Taxação das grandes fortunas, dos bancos e do agronegócio exportador para financiar a expansão de vagas, docentes e infraestrutura.
- Recomposição plena, com correção pela inflação, dos orçamentos de custeio e capital das universidades e institutos federais.
- Auditoria pública da dívida educacional: fim do FIES na forma atual e transição para financiamento estudantil sem juros bancários.
- Anistia para os devedores do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
Permanência não é esmola
- Não à cobrança de mensalidades ou qualquer forma de privatização no ensino superior público.
- Fortalecimento e ampliação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) com valor mínimo vinculado ao salário mínimo.
- Reajuste anual de bolsas e auxílios estudantis pela inflação.
- Ampliação e reforma das moradias estudantis.
- Fortalecimento dos Restaurantes Universitários (RUs) no âmbito da PNAES, com comida de qualidade e gratuidade para estudantes em vulnerabilidade.
- Passe livre estudantil em todo o território nacional, inclusive nas férias.
- Política nacional de saúde mental estudantil, com ampliação dos Núcleos de Apoio Psicossocial nas universidades.
- Creches universitárias em tempo integral para mães e pais estudantes.
Democratização do acesso e reformulação das cotas
- Reformulação da Lei de Cotas, ampliando sua vigência, incluindo pessoas trans e travestis e pessoas com deficiência, e estendendo a política à Pós-Graduação.
- Implementação do Vestibular Indígena em todas as universidades brasileiras.
- Combate ao racismo institucional nos processos de heteroidentificação.
Gestão democrática da universidade
- Eleições diretas e paritárias para reitorias em todas as universidades públicas.
- Transparência orçamentária obrigatória: publicação periódica e acessível das contas de cada universidade.
- Fim da ingerência de fundações privadas e de interesses empresariais na gestão orçamentária das universidades públicas.
Ciência e Tecnologia
- Ampliação de bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado, com reajuste anual acima da inflação.
- Aprovação do Projeto de Lei nº 1714/2026, que reformula a Lei do Estágio, garantindo FGTS, 13º salário, férias remuneradas e piso da bolsa-estágio vinculado ao salário mínimo.
- Efetivação da contagem do tempo de pesquisa para aposentadoria e proteção previdenciária para pós-graduandos, nos termos do PL 255/2023.
- Investimento público em ciência aberta, com fim das barreiras de acesso a publicações científicas financiadas com dinheiro público.
- Fim da precarização docente: abertura de novos concursos públicos, fim da terceirização e da contratação temporária em massa nas universidades.
As universidades vão transicionar!
- Cotas trans em todas as universidades, para além da reserva já prevista na Lei de Cotas.
- Reconhecimento e uso obrigatório do nome social em todos os registros acadêmicos.
- Programa nacional de fortalecimento de projetos culturais protagonizados por pessoas LGBTQIAPN+ dentro das universidades.
- Ampliação das políticas de prevenção, testagem e tratamento de HIV e outras ISTs nos campi, com acesso universal a PrEP e PEP pelo SUS.
Universidade contra a crise ambiental
- Política nacional de climatização ecológica dos campi.
- Currículos e pesquisa voltados ao enfrentamento da crise climática e à transição energética popular.
- Fortalecimento de hortas comunitárias, corredores verdes e iniciativas de sustentabilidade autogeridas pela comunidade acadêmica.
Segurança
- Fim da presença da Polícia Militar dentro dos campi universitários.
- Abertura de concurso público para as Guardas Universitárias.
Contra a privatização e o sucateamento
- Oposição a qualquer modelo de parceria público-privada que transfira patrimônio ou gestão universitária ao setor privado.
- Revogação de normativas que abrem caminho para o ensino a distância precarizado substituir a formação presencial de qualidade.
Defendemos
Institutos Federais
Os Institutos Federais cumprem um papel fundamental na garantia da possibilidade de acesso à educação pública, gratuita e de qualidade. São espaços de incentivo à pesquisa, à cultura e ao desenvolvimento de milhares de jovens brasileiros. Por isso, a defesa dos Institutos Federais é mais do que necessária. Os impactos positivos da existência dos Institutos Federais em seus territórios são incalculáveis: em cada município onde é construído e estruturado um Instituto Federal, toda uma rede de relações se forma ao seu redor e transforma a sociedade.
A defesa dos Institutos Federais perpassa pela luta pela garantia orçamentária, pela garantia de investimento que acompanhe as necessidades da importante política de expansão dos últimos anos, pela defesa e valorização de servidores, servidoras, técnicos administrativos e assistentes sociais, pela garantia de permanência estudantil e pelo fortalecimento da política de cotas, inclusão, saúde mental, acessibilidade, enfrentamento às violências e promoção da diversidade.
Hoje, a realidade é que os Institutos Federais dependem quase que exclusivamente de emendas parlamentares para funcionar, como é o caso grave da alimentação estudantil. Esse é o sintoma de uma política orçamentária de arrocho da educação federal. Sâmia se orgulha de ser a deputada federal que mais destina emendas parlamentares para o IFSP, mas defende que os Institutos Federais possam ter garantia orçamentária sem depender de indicações de emendas.
Sâmia Bomfim acompanhou de perto a greve de 2024 e todo o seu processo de negociação, na qual muitas dessas pautas foram corajosamente defendidas pelos servidores e servidoras docentes e Técnicos-Administrativos em Educação (TAEs) que fazem do Instituto Federal a referência que é na educação federal.
- Cuidotecas nos Institutos Federais.
- Urgência do cumprimento dos Termos de Acordo nº 10/2024 e 11/2024 (MGI/MEC e entidades representativas dos TAEs), fruto da luta organizada da categoria.
- Revisão das regras do ponto e implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para os TAEs.
- Mais investimento federal nos Núcleos de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNEs).
- Viabilização da garantia de alimentação estudantil sem que se retire da reserva destinada à permanência estudantil.
- Investimento em suporte e política de permanência estudantil para alunos com deficiência.
- Que a expansão da oferta de cursos seja acompanhada de condições para sua efetivação e manutenção.
- Agilidade no cumprimento de prazos de liberação de recursos dos editais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).
- Mais investimento federal na Política Nacional de Assistência Estudantil.
- Mais concursos para TAEs.
O que Sâmia fez
- Promoveu audiência sobre o futuro da Unifesp na Zona Leste.
- Defendeu o IFSP e a manutenção de áreas destinadas à comunidade acadêmica.
- Apoiou a mobilização de servidores técnico-administrativos da USP contra a distinção feita pela reitoria ao conceder bônus salarial exclusivamente aos docentes, excluindo os demais servidores. Além disso, apoiou a comunidade acadêmica nas reivindicações, como melhorias nas condições de trabalho, fim da precarização dos restaurantes universitários e ampliação das políticas de permanência estudantil. Acionou a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público contra a ação policial em desocupações de prédios da reitoria.
- Fiscalizou restaurantes universitários terceirizados da USP.
- Acompanhou as tratativas das mesas de negociação e realizou audiências públicas sobre o cumprimento dos termos de acordos de greve dos servidores técnico-administrativos das universidades e institutos federais no que tange ao reajuste salarial e às demais reivindicações.
- Em audiência pública, debateu as condições de acesso e de trabalho das mulheres na gestão da Educação Pública Federal.
- Realizou seminário para debater a utilização dos espaços de Institutos Federais por agentes e instituições de segurança pública.
- PL 1289/2019: altera o art. 5º-A da Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001, para dispor a respeito do reparcelamento e reescalonamento de dívidas do FIES.
- PL 1151/2022: estabelece diretrizes gerais para o acolhimento de gestantes, puérperas e mães de crianças e adolescentes em ambiente universitário.
- PL 2825/2022: estabelece diretrizes gerais para o combate à violência contra a mulher em ambiente universitário.
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