O Brasil atravessa hoje uma das maiores crises socioambientais de sua história. Essa crise assume uma dimensão ainda maior pela importância estratégica de nosso país no equilíbrio climático do planeta. Detentor da maior floresta tropical do mundo, de uma das maiores reservas de água doce e de uma das mais ricas biodiversidades da Terra, o Brasil é um país decisivo para o futuro climático da humanidade.
Apesar desse enorme potencial, nosso país vive um processo acelerado de degradação socioambiental. A intensificação da emergência climática, com ondas de calor, secas prolongadas, enchentes, queimadas, deslizamentos de terra, perda de biodiversidade e agravamento da insegurança hídrica, revela os limites do modelo neoliberal de desenvolvimento baseado na exploração predatória da natureza, na concentração da riqueza e na mercantilização dos bens comuns.
Os impactos dessa crise recaem de forma desigual sobre a população, atingindo principalmente as periferias urbanas, os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade e demais grupos historicamente vulnerabilizados, aprofundando a desigualdade social e o racismo ambiental.
Nos últimos anos, esse modelo se expressou em alguns dos principais conflitos socioambientais do país. Se, por um lado, o peso do agronegócio sobre o Governo Federal e o Congresso resulta em políticas como os projetos de privatização das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, o avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial e a continuidade das ameaças aos biomas brasileiros, especialmente o desmatamento na Amazônia; por outro lado, fortalecem-se as lutas em defesa dos povos indígenas, das comunidades tradicionais, das águas, das florestas e dos territórios.
O fracasso da COP 30 em produzir compromissos compatíveis com a gravidade da emergência climática evidenciou os limites das soluções baseadas na conciliação com os interesses do mercado e reforçou a necessidade de um outro projeto de civilização.
Nesse conjunto de mobilizações, a deputada federal Sâmia Bomfim atuou ao lado dos movimentos sociais, participando da resistência contra a privatização das hidrovias amazônicas, da defesa da Amazônia e dos povos tradicionais, da luta contra o PL da Devastação e da oposição à exploração de petróleo na Margem Equatorial. A ocupação da sede da Cargill em Santarém pelo movimento indígena do Baixo Tapajós e a consequente conquista da revogação do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu os rios no Programa Nacional de Desestatização, mostraram que o caminho das lutas é a resposta para uma agenda climática coerente e comprometida com a justiça socioambiental.
Embora possua enorme potencial para liderar uma transição ecológica justa, o Brasil segue reproduzindo um padrão de desenvolvimento ambientalmente insustentável e socialmente desigual. Em São Paulo, esse projeto assume características próprias, combinando privatizações, desmonte das políticas ambientais e expansão da especulação imobiliária, aprofundando os efeitos da crise climática sobre a população.
O governo Tarcísio de Freitas transformou São Paulo em um laboratório do neoliberalismo ambiental. Em vez de fortalecer a proteção da natureza e preparar o Estado para enfrentar a emergência climática, seu governo desmonta políticas públicas, enfraquece órgãos ambientais e de pesquisa, reduz a capacidade de atuação do poder público e transfere o patrimônio ambiental paulista aos interesses privados.
Isso se expressa na privatização da Sabesp, na concessão dos parques estaduais à exploração comercial, na flexibilização do licenciamento ambiental, na extinção de milhares de cargos públicos estratégicos para a pesquisa científica e a proteção ambiental, na venda de terras públicas devolutas, nas ameaças à gestão participativa de unidades de conservação como o PETAR, no incentivo à verticalização da Área de Proteção Ambiental (APA) de Ilha Comprida e à ocupação imobiliária da orla paulista e na implantação de incineradores em Perus, São Mateus, Barueri e outras localidades.
Essa lógica se reproduz em diferentes municípios paulistas, por meio de projetos urbanos que privilegiam a expansão viária, os interesses do mercado imobiliário e a privatização ou exploração comercial de espaços públicos em detrimento da proteção ambiental. Na capital paulista, o projeto da Nova Raposo representa a insistência num modelo rodoviarista, com riscos de desmatamento, fragmentação de corredores ecológicos, impactos sobre nascentes, desapropriações e estímulo à expansão urbana.
A luta em defesa do Parque Chácara do Jockey, por sua vez, simboliza a resistência à redução dos espaços públicos verdes, essenciais para a adaptação das cidades às mudanças climáticas. Da mesma forma, a abertura de uma via na região da Sena Madureira e a implantação de polos gastronômicos em parques públicos expressam uma concepção de cidade que sacrifica áreas verdes, biodiversidade e espaços de convivência para favorecer o automóvel, a valorização imobiliária e a exploração econômica dos bens públicos.
Apresentado como sinônimo de modernização e progresso, o neoliberalismo produz, na prática, mais degradação ambiental e aprofundamento das desigualdades sociais. Sob a lógica do neoextrativismo, transforma a água, a terra, as florestas e os parques em oportunidades de negócio, subordinando o interesse público ao mercado e convertendo territórios inteiros em zonas de sacrifício. Belo Monte, Mariana, Brumadinho e o desastre da Braskem em Maceió simbolizam esse padrão de desenvolvimento, que produz as verdadeiras vítimas do progresso: comunidades inteiras expulsas de seus territórios, submetidas à contaminação ambiental, à perda de seus modos de vida e à destruição de seus vínculos sociais.
Enquanto privatiza os lucros, socializa os prejuízos ambientais, transferindo para a classe trabalhadora os custos da degradação. Esses custos recaem, sobretudo, sobre quem menos contribuiu para a crise climática: moradores das periferias, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, trabalhadores do campo e da cidade, mulheres, crianças e a população negra são os primeiros a sofrer com a falta de água, a poluição, as enchentes, as ilhas de calor, a ausência de áreas verdes, a contaminação dos rios e a precarização dos serviços públicos.
Essa distribuição desigual dos riscos e danos ambientais caracteriza o racismo ambiental, expondo de forma desproporcional populações historicamente marginalizadas aos impactos da crise ecológica.
Diante desse cenário, é urgente construir uma alternativa capaz de enfrentar a emergência climática, romper com a lógica da mercantilização da natureza e recolocar o Estado a serviço do interesse público, da proteção da vida e dos bens comuns. É nesse contexto que apresentamos este programa socioambiental: propostas capazes de enfrentar juntas a crise climática, a desigualdade social e a degradação ambiental, colocando a vida e os direitos da população acima da lógica do lucro.
Defendemos
Proteção dos biomas, restauração ecológica e Direitos da Natureza
Zerar todo o desmatamento, inclusive o chamado desmatamento legal, restaurar os biomas brasileiros e recuperar áreas degradadas são medidas indispensáveis para enfrentar a crise climática, proteger a biodiversidade, fortalecer os serviços ecossistêmicos e assegurar os direitos das presentes e futuras gerações. Para isso, é necessário fortalecer e ampliar as políticas ambientais em todas as esferas da sociedade, adotando os Direitos da Natureza como marco jurídico estruturante, expandindo as áreas protegidas frente à degradação e à exploração predatória e protegendo a fauna e a flora locais.
- Ampliar e fortalecer as áreas de proteção ambiental (APAs), as unidades de conservação e demais áreas protegidas, garantindo proteção jurídica efetiva, recursos, equipes técnicas, conselhos gestores e a participação das comunidades que vivem e protegem esses territórios.
- Recompor os órgãos ambientais e as instituições públicas responsáveis pela pesquisa, fiscalização e proteção da natureza, revertendo a política de desmonte por meio de concursos públicos, orçamento adequado, modernização de equipamentos e valorização dos servidores.
- Impedir a verticalização e a expansão imobiliária incompatíveis com áreas de proteção ambiental e zonas costeiras sensíveis.
- Exigir a recuperação dos passivos ambientais pelos grandes e médios proprietários rurais.
- Incorporar os Direitos da Natureza ao ordenamento jurídico brasileiro, reconhecendo rios, nascentes, aquíferos e demais ecossistemas como sujeitos de direitos, com proteção jurídica, integridade ecológica e representação judicial garantidas.
- Revisar as metas legais de combate ao desmatamento, estabelecendo o desmatamento zero como objetivo obrigatório, com transparência, monitoramento permanente, fiscalização e responsabilização efetiva dos infratores.
- Apoiar a implementação do maior programa de restauração ecológica da história do Brasil, com metas de recuperação de áreas degradadas, recomposição da vegetação nativa e geração de empregos verdes.
- Reorientar a política de crédito rural, reduzindo progressivamente os subsídios e incentivos públicos destinados ao agronegócio exportador e à pecuária extensiva, responsáveis por parcela significativa do desmatamento, das emissões de gases de efeito estufa e da degradação dos biomas, priorizando a agroecologia, a agricultura familiar e formas de produção que reduzam a exploração animal.
Demarcação e proteção dos territórios indígenas, quilombolas e das populações tradicionais
Acelerar a demarcação e garantir a proteção integral dos territórios indígenas, quilombolas e dos povos tradicionais, reconhecendo seu papel fundamental na conservação da biodiversidade e no enfrentamento da crise climática. É preciso eliminar os entraves burocráticos e as disputas promovidas pelo agronegócio que retardam esse processo, assegurando a essas comunidades o direito ao território, à autodeterminação e à consulta prévia, livre e informada sobre empreendimentos que possam afetar seus modos de vida, sempre em respeito à Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho e aos protocolos elaborados pelas próprias comunidades.
- Demarcação já: reconhecimento, homologação e regularização imediata dos territórios.
- Concluir os processos de demarcação das terras indígenas e instituir, por lei, prazos públicos e obrigatórios para todas as etapas do processo, da identificação à homologação.
- Titular os territórios quilombolas e reconhecer os territórios das comunidades tradicionais, priorizando a proteção das comunidades ameaçadas por conflitos fundiários, mineração, agronegócio, exploração de petróleo e gás, hidrelétricas e grandes obras de infraestrutura.
- Rejeitar o marco temporal e toda iniciativa que restrinja os direitos territoriais dos povos indígenas.
- Valorizar os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas como patrimônio científico, cultural e ambiental fundamental para a conservação da biodiversidade e o enfrentamento da crise climática.
- Garantir a participação dos povos indígenas na formulação, implementação e monitoramento das políticas ambientais e climáticas.
Reforma agrária popular, agroecologia e soberania alimentar
Promover a reforma agrária popular como instrumento de democratização do acesso à terra, fortalecendo a agroecologia, a agricultura familiar e os circuitos locais de produção e abastecimento. É preciso superar o agronegócio, modelo agroexportador baseado na concentração fundiária e no uso intensivo de agrotóxicos, mudando radicalmente a forma como o país produz e distribui alimentos, garantindo acesso a comida saudável como parte da saúde preventiva no país que mais usa agrotóxicos no mundo.
- Destinar terras incorporadas ao Estado por crimes ambientais, grilagem ou trabalho escravo à reforma agrária, à restauração ecológica e à proteção dos territórios comunitários, priorizando famílias voltadas à produção agroecológica de alimentos.
- Impedir a privatização e a alienação de terras públicas devolutas destinadas à regularização da grilagem, assegurando sua destinação prioritária à reforma agrária, à restauração ecológica, à criação de unidades de conservação e à proteção dos territórios indígenas, quilombolas e tradicionais.
- Demarcar imediatamente todas as terras públicas não destinadas e transformá-las em territórios protegidos.
- Ampliar o crédito, a assistência técnica e a infraestrutura para a agricultura familiar, priorizando mulheres, juventudes rurais, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e assentamentos da reforma agrária.
- Criar um grande programa nacional de agroecologia, apoiando a transição para sistemas produtivos livres de agrotóxicos, capazes de restaurar o solo, conservar a água e proteger a biodiversidade.
- Fortalecer a compra pública de alimentos da agricultura familiar: escolas, hospitais, universidades, restaurantes populares e demais instituições públicas devem priorizar a aquisição de alimentos saudáveis produzidos localmente.
- Reduzir progressivamente o uso de agrotóxicos na agricultura e de antibióticos e hormônios na criação animal, proibindo as substâncias mais perigosas.
- Proibir a pulverização aérea de agrotóxicos.
Água como bem comum e proteção dos sistemas hídricos
A água é um bem comum e um direito humano fundamental. É preciso proteger nascentes, rios, aquíferos, mananciais e bacias hidrográficas, ampliar a infraestrutura de saneamento básico e combater a poluição hídrica, fortalecendo a gestão pública e participativa dos recursos hídricos para garantir segurança e acesso universal à água de qualidade, especialmente para os mais vulneráveis.
- Universalizar o acesso à água potável e ao saneamento básico de qualidade, com coleta e tratamento de esgoto, manejo adequado de resíduos sólidos e drenagem urbana, priorizando periferias urbanas, áreas rurais, aldeias, quilombos e comunidades tradicionais.
- Reverter o Marco Legal do Saneamento Básico, que estimulou privatizações e trouxe aumento de tarifas, precarização dos serviços e perda do controle público, como nos casos da Sabesp (SP), da Cedae (RJ), da Copasa (MG) e da Cosama (AM).
- Proibir a apropriação privada de rios, lagos, praias, nascentes e demais fontes de água. Os sistemas hídricos são bens comuns e devem permanecer públicos e acessíveis à população.
- Defender a reestatização da Sabesp e a reconstrução de uma política pública de saneamento orientada pelo interesse social.
- Fortalecer a segurança do abastecimento de água, ampliando a proteção dos mananciais, reduzindo perdas na distribuição e preparando os sistemas para enfrentar períodos de escassez hídrica.
- Garantir acesso gratuito à água potável em parques, praças, escolas, terminais de transporte e demais equipamentos públicos.
Descarbonização da economia e combate às mudanças climáticas
Superar a dependência dos combustíveis fósseis, principal fonte de emissões de gases de efeito estufa, exige políticas públicas que acelerem a descarbonização da economia. É preciso eliminar os incentivos públicos à exploração e ao consumo de petróleo, carvão e gás, orientar os investimentos para atividades compatíveis com a preservação do clima e declarar estado de emergência climática nas três esferas de governo.
- Acabar com os subsídios públicos aos combustíveis fósseis. Os recursos hoje destinados à indústria fóssil devem financiar transporte público, energias renováveis, eficiência energética e adaptação climática.
- Eletrificar o transporte público e de cargas, ampliando as frotas de ônibus elétricos e de veículos públicos e fortalecendo ferrovias, hidrovias sustentáveis e corredores logísticos de baixo carbono, para reduzir emissões, melhorar a qualidade do ar e diminuir doenças respiratórias.
- Criar um programa nacional de energia solar popular, com prioridade para moradias populares, escolas, postos de saúde, associações comunitárias, assentamentos, aldeias e comunidades tradicionais.
- Elaborar e implementar políticas de adaptação às mudanças climáticas, enfrentando os impactos de secas, ciclones, inundações, deslizamentos de terra e outros eventos extremos.
- Fortalecer os sistemas públicos de monitoramento, alerta precoce e comunicação de riscos, garantindo que a população seja informada com rapidez diante de eventos climáticos extremos.
- Criar uma política nacional de prevenção e combate às queimadas e aos incêndios florestais, fortalecendo brigadas comunitárias, bombeiros, monitoramento e responsabilização dos infratores.
- Instituir uma política nacional de abrigos climáticos, utilizando escolas, postos de saúde, centros comunitários e demais equipamentos públicos como espaços de proteção durante ondas de calor e outros eventos extremos.
- Criar um fundo permanente para perdas e danos climáticos, garantindo reconstrução rápida, apoio às famílias e recuperação econômica dos territórios atingidos.
- Preparar as escolas para o enfrentamento da crise climática, incorporando a educação climática aos currículos e capacitando profissionais para atuar na prevenção e na resposta a desastres.
- Adaptar a infraestrutura das escolas à crise climática, com arborização, ventilação adequada, sombreamento e eficiência energética, preparando-as também para funcionar como abrigos climáticos em emergências.
Direito à cidade: mobilidade, natureza e justiça socioambiental
Construir cidades sustentáveis exige garantir o direito à cidade, com moradia digna, mobilidade pública acessível e amplo acesso a áreas verdes, enfrentando a especulação imobiliária, ampliando a arborização urbana, recuperando rios e córregos e reduzindo as ilhas de calor.
- Retomar uma política nacional de moradia popular, garantindo que os programas habitacionais priorizem moradias bem localizadas, próximas de serviços públicos, transporte coletivo e oportunidades de trabalho.
- Criar um grande programa de arborização urbana e proteção da fauna, priorizando periferias com menor cobertura vegetal, ampliando parques e áreas verdes e renaturalizando rios urbanos.
- Fortalecer a urbanização de favelas e a regularização fundiária, assegurando acesso a água, saneamento, energia, drenagem, internet e segurança jurídica.
- Priorizar investimentos em trens, metrôs, ciclovias e mobilidade ativa, promovendo sistemas intermodais que reduzam a dependência do transporte individual motorizado e valorizem os espaços públicos e a convivência coletiva.
- Implantar um transporte público de qualidade, acessível e progressivamente gratuito, tendo a tarifa zero como horizonte nacional e o Passe Livre “Triplo Zero” (zero tarifa, zero emissão e zero mortes no trânsito) como referência.
- Impedir a privatização, a mercantilização e o cercamento de parques, praças, praias e demais espaços públicos, promovendo sua ampliação e acesso universal, inspirados na filosofia da cidade de 15 minutos, com mais calçadas, áreas verdes e espaços de convivência.
- Combater a poluição do ar, sonora e luminosa, com metas de redução, monitoramento público e responsabilização dos grandes poluidores.
- Combater o racismo ambiental, garantindo que comunidades negras, periféricas, indígenas, quilombolas e demais populações vulnerabilizadas não sejam desproporcionalmente expostas à poluição, às áreas de risco, à falta de saneamento e aos impactos das mudanças climáticas.
- Combater projetos rodoviaristas que ampliem a dependência do transporte individual e provoquem a destruição de áreas verdes, priorizando o transporte coletivo e a mobilidade ativa.
- Eliminar a publicidade comercial invasiva no espaço urbano, restringindo a instalação de outdoors, painéis, telas digitais e outras formas de poluição visual, preservando a paisagem urbana como bem comum, qualificando os espaços públicos e fortalecendo o direito à cidade.
Economia circular e reindustrialização ecológica
Promover a economia circular e a reindustrialização sustentável do país significa combater a obsolescência programada e incentivar o reparo, a reutilização, a reciclagem e o reaproveitamento de materiais. É preciso superar a dependência da exportação de commodities, direcionando subsídios para atividades de alto valor agregado e baixo impacto socioambiental, e submeter a mineração a rigoroso controle.
- Defender uma política nacional de reindustrialização ecológica voltada à produção de bens estratégicos para a transição, como transporte público, equipamentos para energias renováveis, medicamentos, saneamento, reciclagem e máquinas agrícolas para a agricultura familiar.
- Redirecionar os recursos públicos hoje destinados ao setor privado para cooperativas, iniciativas da economia solidária e atividades estratégicas para a transição ecossocialista. Enquanto existirem subsídios e incentivos às empresas, seu acesso deverá estar condicionado ao cumprimento de critérios ambientais, sociais e trabalhistas, incluindo a reparação dos danos e a compensação dos impactos socioambientais.
- Proibir a obsolescência programada e garantir o direito ao conserto, exigindo que fabricantes disponibilizem peças, manuais e assistência técnica a preços acessíveis.
- Controlar rigorosamente a atividade minerária, exigindo avaliação de impactos cumulativos, consulta prévia às comunidades afetadas e garantias financeiras de reparação de danos, para impedir novas zonas de sacrifício como Brumadinho, Mariana, Belo Monte e Braskem em Maceió.
- Revogar a Lei Kandir {Lei Complementar nº 87/1996) e acabar com as isenções que favorecem a exportação de commodities em detrimento da industrialização do país.
- Instituir uma moratória para a instalação de novos data centers até que sejam estabelecidos critérios rigorosos de avaliação socioambiental e de utilidade pública.
- Submeter a exploração de terras raras e demais minerais críticos a rigoroso controle socioambiental, respeitando os direitos das comunidades afetadas.
- Garantir que o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial observem critérios de sustentabilidade ambiental, transparência e interesse público, prevenindo impactos sobre o consumo de energia e as emissões de gases de efeito estufa.
Resíduos sólidos e justiça socioambiental
Superar o atual modelo de produção e consumo, baseado no desperdício, exige uma política de resíduos sólidos orientada pela economia circular: reduzir a geração de resíduos, fortalecer a reutilização, a reciclagem e a compostagem, responsabilizar as empresas por todo o ciclo de vida de seus produtos e rejeitar soluções que perpetuem a poluição, como a incineração.
- Instituir a responsabilidade integral das empresas pelos resíduos, garantindo que fabricantes, importadores e distribuidores financiem a coleta, a reutilização e a destinação ambientalmente adequada dos produtos e embalagens que colocam no mercado.
- Erradicar os lixões e fortalecer as cooperativas de catadores, com remuneração digna, infraestrutura adequada, contratação pública e reconhecimento como protagonistas da política nacional de resíduos sólidos.
- Rejeitar a incineração de resíduos como solução para o lixo ou para a geração de energia, priorizando a redução, a reutilização, a compostagem e a reciclagem.
- Impedir a construção de novos incineradores de resíduos, barrando os projetos previstos para Perus, São Mateus, Barueri e outras localidades, e direcionar recursos públicos para a coleta seletiva e as cooperativas de catadores.
- Reduzir progressivamente a produção e o consumo de plásticos descartáveis, com proibição gradual dos plásticos de uso único, ressalvadas as aplicações sanitárias indispensáveis.
- Apoiar a ratificação e a implementação do Tratado Global contra a Poluição Plástica, no âmbito da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA), com regras internacionais vinculantes para reduzir a produção de plásticos.
- Implementar programas permanentes de educação ambiental sobre resíduos sólidos, promovendo o consumo consciente, a redução da geração de resíduos, a separação na fonte, a coleta seletiva, a reutilização, a reciclagem, a compostagem e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
O que Sâmia fez
- Sâmia atuou na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente ao denunciar e se posicionar contra a aprovação do marco temporal que visava destruir a política de demarcação de terras indígenas.
- Criou e coordenou a Subcomissão sobre Climatização das Escolas, espaço institucional em que dirigiu trabalhos sobre impactos da crise climática na educação e visitou escolas para entender o funcionamento de uma infraestrutura adaptada ao calor extremo.
- Participou da discussão do novo Plano Nacional de Educação e articulou a aprovação de emendas para assegurar o enfrentamento da crise climática, tais como a obrigatoriedade da educação ambiental na educação básica, a garantia de conforto térmico nas escolas públicas e a elaboração de planos de mitigação e adaptação à crise climática por parte das redes de ensino.
- Denunciou e votou contra o PL da Devastação, que flexibiliza o licenciamento ambiental, classificando-o como o maior retrocesso socioambiental dos últimos 40 anos.
- Propôs, na Câmara dos Deputados, o Prêmio Chico Mendes de Defesa do Meio Ambiente.
- Atuou contra a inclusão de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização (Decreto nº 12.600/2025). Além de apresentar Projeto de Decreto Legislativo para sustar a privatização e dragagem dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, também integrou a comitiva de parlamentares que se uniu a protestos e ocupações de povos originários do Baixo Tapajós contra os impactos socioambientais da dragagem comercial, prestando apoio na luta dos povos indígenas em Santarém (PA).
- Cobrou municípios paulistas sobre irregularidades como lixões a céu aberto em áreas de preservação, a exemplo de Guarulhos, bem como debateu impactos industriais e de infraestrutura na Baixada Santista, como em Cubatão.
- Atua ativamente contra a entrega de minerais estratégicos ao capital estrangeiro, tendo acionado a PGR para anular a venda da mineradora Serra Verde, detentora da única mina de terras raras em operação comercial no Brasil, situada em Goiás, para a empresa estadunidense USA Rare Earth, bem como votou contra o PL 2780/2024 sobre minerais críticos.
- Apresentou proposta que cria a Contribuição de Responsabilidade Climática sobre Transporte Aéreo de Luxo e taxa jatinhos e bilhetes de classes executiva e primeira classe para financiar ações ambientais.
- PL 3646/2024: Dispõe sobre o impedimento de concessão de incentivos fiscais a pessoas jurídicas e físicas envolvidas em crimes ambientais, e dá outras providências.
- PLP 150/2024: Altera a Lei Complementar nº 200, de 2023, para instituir a Regra de Ouro Verde, excluindo os gastos ambientais das limitações fiscais e vinculando-os a um planejamento orçamentário contínuo.
- PL 3902/2024: Altera o art. 10 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, para estabelecer a interdição temporária de direitos no caso de envolvimento em crimes ambientais que resultem em desmatamento, queimadas ou degradação significativa do meio ambiente.
- PL 3277/2025: Dispõe sobre diretrizes para mitigação dos efeitos das mudanças climáticas em prédios públicos e espaços públicos ou privados de circulação ou concentração de pessoas, e dá outras providências.
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