No Brasil, temos mais de 12 milhões de servidores públicos federais, estaduais, distritais e municipais, representando somente cerca de 12% de toda a população trabalhadora. Nas últimas décadas, promoveu-se uma demonização intencional desses trabalhadores, frequentemente taxados de “vagabundos” e falsamente acusados de receber supersalários.
Segundo o IPEA, mais de 80% dos servidores públicos recebem até três salários mínimos e vivem um agudo processo de desvalorização, precarização das condições de trabalho, diferentes formas de assédio e perda de direitos fundamentais. Em cada canto do país, no entanto, graças aos servidores, pode-se manter a mínima qualidade de nossas escolas, hospitais, equipamentos de assistência social e outros serviços.
A propaganda negativa e sistemática de que os servidores são privilegiados tem sido fortemente utilizada, principalmente, por partidos neoliberais e da direita conservadora, a serviço do projeto de privatização e terceirização e de mercantilização dos serviços sociais e da previdência, sem limites. Os objetivos são acabar com o funcionário estável e concursado, que promove com equidade e impessoalidade os direitos da população; enfraquecer os servidores e retirar direitos salariais e previdenciários conquistados com muita luta; entregar os serviços a interesses lucrativos e à gestão privada e política, seja empresarial ou clientelista – permitindo, hoje, até o seu controle por grupos do crime organizado.
Ofensivas dessa natureza estão bem representadas em gestões como as de Temer e Bolsonaro/Paulo Guedes, no âmbito federal, e de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, no estado e na cidade de São Paulo. Verdadeiros inimigos dos serviços públicos! Elas se materializam em graves ataques aos servidores, entre os quais se destacam: as tentativas de “reforma administrativa”, pelas PECs 32/2020 e 38/2025, que simplesmente desfazem a estabilidade e acabam com o concurso público; as reformas previdenciárias, que aumentaram enormemente as idades mínimas e reduziram drasticamente os benefícios, instituíram contribuições extraordinárias confiscatórias, destruíram a paridade entre ativos e aposentados, diminuíram ou extinguiram isenções a aposentados com deficiências e doenças incuráveis; a extinção arbitrária de milhares de cargos públicos e a substituição avassaladora de concursados por várias modalidades de terceirização, em regra precarizadas; a desvalorização das remunerações reais e reestruturações que vulneram carreiras, corroendo princípios de isonomia e retirando direitos previstos; a utilização ampliada e ilimitada de contratados temporários, sub-remunerados e destituídos de direitos trabalhistas; e o apoio à aprovação de novo regramento para pagamento dos precatórios alimentares, que impõe mais grave e eterno calote aos seus credores.
A expressão máxima da política de desmonte dos serviços públicos se consolidou com a propositura do teto de gastos, uma medida sem precedentes que limitou o crescimento do orçamento público à inflação. O objetivo dessa medida, instituída pela EC 95/2016, foi assegurar mais recursos para o sistema da dívida pública, permitindo a manutenção das altíssimas taxas de juros, sem nenhum motivo real a não ser a injeção direta de recursos do orçamento público no sistema financeiro, por meio da disponibilização, sob demanda, de títulos da dívida pública. Essa política, suplantada pela PEC de transição (PEC 32/2022, convertida na EC 126/2022), foi substituída pelo Novo Arcabouço Fiscal (LC 200/2023), que adicionou uma banda adicional de crescimento do orçamento (0,6% a 2,5%), mantendo, entretanto, as restrições aos investimentos em serviços públicos.
Para que exista democracia, mesmo nos atuais marcos do capitalismo, é indispensável a existência de um serviço público forte e qualificado, que cumpra a função de garantir direitos e entregar serviços à população, principalmente à mais pobre e vulnerável. É preciso uma representação no Congresso que atue incondicionalmente contra todas essas mudanças prejudiciais aos servidores e serviços públicos e que, para além disso, defenda uma pauta propositiva de fortalecimento e valorização destes.
De forma correlacionada com a política fiscal determinada pelo Novo Arcabouço Fiscal e pressionada por ela, os setores que atacam os serviços públicos estabeleceram uma agenda de reforma administrativa que não se propõe a melhorar os serviços públicos, o que requer investimentos, mas sim a limitar os gastos, por meio da ampliação de medidas como terceirizações, precarização das relações de trabalho e novas formas de contratação, e que só irá piorar os serviços públicos. Buscando avançar nessa agenda, o Congresso Nacional aprovou, em 2024, sob protestos e denúncias de Sâmia, a LC 211, que fixou limites ainda mais duros para a remuneração de servidores, limitando, na prática, o crescimento da despesa de pessoal de todos os poderes a 0,6% acima da inflação, de 2027 a 2030, uma medida que precisa ser revogada, junto com o Novo Arcabouço Fiscal. A consequência direta dessa medida foi a propositura da PEC 38/2025, da reforma administrativa, que, junto com a PEC 32/2020, representa uma ameaça aos serviços públicos e aos direitos das servidoras e servidores.
Sâmia Bomfim é servidora pública da USP, tem trajetória na luta sindical e, como vereadora de São Paulo (entre 2017 e 2018) e deputada federal (entre 2019 e 2026), destacou-se lutando ao lado das servidoras e dos servidores. Reeleger Sâmia é garantir que a voz e a luta dos servidores públicos estejam representadas.
Defendemos
- Retirada definitiva de pauta das PECs 32/2020 e 38/2025 e apoio a todos os movimentos contra essas iniciativas. Não à Reforma Administrativa!
- Revogação integral da Reforma da Previdência e da Reforma Trabalhista, incluindo a revogação dos confiscos previdenciários sobre aposentados, dos aumentos de idades mínimas e da redução de benefícios, bem como das quebras da paridade e da integralidade, apoiando todos os movimentos contra essas iniciativas.
- Completa isenção da contribuição previdenciária para aposentados e pensionistas do serviço público e, imediatamente, proposição, por iniciativa legislativa, da isenção de qualquer contribuição previdenciária para aposentados com deficiências e doenças graves e incuráveis.
- Abertura de concursos públicos em todas as esferas e áreas do serviço público e convocação de todos os aprovados. Para tanto, adotar iniciativa legislativa que obrigue o poder público de todas as esferas a preencher cargos vagos e criar novos cargos para atender ao aumento das demandas.
- Fim do Arcabouço Fiscal, para permitir maior financiamento para os serviços públicos, valorização dos servidores e manutenção de todos os seus direitos constitucionais e legais, seguindo na denúncia dos danos das restrições ainda mais duras vigentes de 2027 a 2030 para a remuneração de servidoras e servidores. O que o país precisa é de um “arcabouço social”, que garanta a destinação do orçamento a serviços públicos de qualidade, e não ao sistema financeiro.
- Propor o restabelecimento da reposição inflacionária plena, no mínimo anual, das remunerações para todos os servidores públicos, além da recomposição de perdas reais. Para tanto, adotar iniciativa legislativa que restitua e assegure explicitamente este direito.
- Pelo princípio constitucional da manutenção da estabilidade, em todas as esferas e áreas do serviço público, assegurando-se o provimento unicamente por concurso público e restabelecendo-se a exclusividade desses profissionais para o exercício das funções-fim. Para tanto, apresentar proposição legislativa.
- Pela livre e permanente negociação no serviço público, com todas as entidades representativas dos servidores, com pleno exercício de organização, informação e direito de greve, envolvendo remuneração e todos os fatos de carreira, perante suas esferas de poder.
- Pela permanente valorização das carreiras dos servidores municipais, estaduais e federais, bem como pela revogação de todas as medidas que retiraram direitos de servidores e servidoras.
- Pela restituição da paridade plena e efetiva para aposentados que, por força de reestruturações de carreira ou de outras mudanças, passaram a ter remunerações menores que servidores ativos das mesmas carreiras. Para tanto, adotar iniciativa legislativa para restituir esse direito, como norma geral para o funcionalismo.
- Contra toda forma de assédio e discriminação no serviço público, em favor da formação permanente dos servidores e servidoras e por condições adequadas e sustentáveis das unidades de serviços públicos e dos locais de trabalho.
- Contra qualquer proposta de privatização e terceirização de serviços públicos e pela luta pela reversão para sua execução estatal.
- Valorização da educação pública e dos professores.
- Valorização do SUS e do SUAS.
- Pelo cumprimento imediato e urgente da lei do piso nacional da enfermagem e dos agentes de saúde e pela jornada de 30 horas.
- Pela efetivação de todos os pisos salariais profissionais, em todas as esferas.
- Contra qualquer tentativa de diminuição das vinculações orçamentárias atuais e consequente prejuízo aos serviços.
- Pela revogação da EC 136/2025, restabelecendo-se a obrigatoriedade do pagamento de todos os precatórios alimentares estaduais e municipais em atraso, segundo a exceção constitucional anterior - até o final de 2029. Para tanto, adotar iniciativas jurídicas e/ou legislativas, apoiar e participar de movimentos com esta finalidade.
- Combate a Narrativas Neoliberais: Rejeição firme a discursos que tentam demonizar os servidores públicos ou justificar reformas de retirada de direitos, como a PEC 32/2020, sob o pretexto de falsos privilégios.
- Respeito às Leis de Profissões Regulamentadas: Fiscalização e combate a desrespeitos institucionais, como a realização de concursos genéricos para cargos de “analista” que exigem formação específica (jornalistas, engenheiros, assistentes sociais, psicólogos), mas impõem 40 horas semanais e ignoram pisos salariais ou jornadas reduzidas.
- Proteção de Prerrogativas e Aposentadoria Especial: Defesa intransigente de remunerações justas, direitos de carreira e regras de previdência e aposentadoria especial para profissionais que atuam sob desgaste ou risco à saúde.
- Fim da Precarização e das Terceirizações: Enfrentamento à avalanche de terceirizações e à vulnerabilidade institucional que descaracterizam o serviço público de excelência.
- Revisão de Medidas Restritivas: Luta pela revogação de congelamentos, confiscos salariais e reformas que atacam os direitos do funcionalismo nas esferas federal, estadual e municipal.
- Valorização Ampla do Serviço Público: Compromisso com a abertura imediata de concursos públicos em todas as áreas, financiamento adequado e construção democrática de planos de carreira para garantir entregas de qualidade à população mais vulnerável.
- Defesa dos Trabalhadores da Comunicação Pública e da Democracia contra Privatizações e Desmonte: Atuação frontal contra qualquer tentativa de entrega ao mercado ou controle corporativo das mídias públicas.
- Pela Expansão e Capilaridade da Rede Pública de Comunicação: Luta pela destinação de recursos específicos para expandir e consolidar a TV Brasil, a Rádio Nacional, a Rádio MEC, além de rádios e TVs universitárias, estaduais e municipais, fomentando a produção de conteúdo regional, local e independente.
- Orçamento público para os direitos sociais: Debate amplo, com toda a sociedade, sobre o orçamento público e a necessidade de um “arcabouço social”, que assegure a priorização dos investimentos em serviços públicos, e o fim do Arcabouço Fiscal, que prioriza o serviço da dívida pública e o rentismo em detrimento dos gastos sociais.
O que Sâmia fez
- Criou mais de dois mil comitês domésticos contra a Reforma da Previdência e votou NÃO a toda PEC apresentada.
- Ajudou a barrar a tramitação das PECs 32/2020 e 38/2025, da Reforma Administrativa, e se posicionou inteiramente contra ambas; questionou a Lei Complementar 173/2020, que congelou tempos e vantagens relativos ao período da pandemia, e apresentou Projeto de Lei Complementar para revogar o congelamento da contagem de tempo para carreiras e benefícios no período da Covid-19 (PLP 40/2022).
- Votou contra o PLP 93/2023, do Novo Arcabouço Fiscal (convertido na LC 200/2023).
- Lutou ativamente pela rejeição e votou contra o PLP 210/2024, que instituiu restrições ainda mais duras para a remuneração de servidoras e servidores no Arcabouço Fiscal (convertido na LC 211/2024).
- Lutou pela aprovação e sanção do Piso Nacional da Enfermagem e dos Agentes de Saúde e acionou o STF contra o adiamento da implementação da nova lei.
- Lutou ativamente pela aprovação da PEC 14/2021, que garante aposentadoria especial, com paridade e integralidade, para Agentes de Saúde e Agentes de Combate a Endemias.
- Presidiu a subcomissão que tratava do retorno seguro às escolas, durante a pandemia, lutando por vacinação prioritária para os profissionais da educação.
- Combateu e votou contra todas as privatizações de serviços públicos, inclusive as realizadas na cidade e no estado de São Paulo, por Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas.
- Esteve nas ruas com servidores, lutando por reajuste salarial e contra as reformas previdenciárias nos municípios.
- Esteve com trabalhadores do Judiciário, lutando pelo reajuste salarial e por melhorias na carreira.
- Acionou a Justiça pelo restabelecimento da isenção previdenciária, até o dobro do teto do INSS, para pessoas com deficiências, doenças graves ou incapacitantes no funcionalismo municipal de São Paulo.
- Defendeu mais concursos públicos e a convocação de todos os aprovados nos concursos vigentes.
- Lutou pela autonomia universitária e pelo aumento de verbas para as universidades públicas.
- Destinou emendas parlamentares transparentes para universidades e institutos federais, escolas e hospitais universitários.
- Defendeu mais recursos para o Iamspe e o HSPM.
- Provocou o Ministério Público para que convocasse agentes de organização escolar aprovados em concursos.
- Foi reconhecida pelo Prêmio Congresso em Foco como uma das deputadas que mais representou a pauta da educação.
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